Casal do interior de São Paulo consegue guarda provisória de cinco irmãos em Cidade Ocidental

 

“Eu quero ser jogador”. “Quando crescer vou ser policial”. “Eu não sei, mas só quero estudar”. Esses são alguns dos sonhos de três dos cinco irmãos que vão passar a viver no interior de São Paulo. A guarda provisória dos irmãos de 13, 10, 7, 5 e 3 anos foi concedida pelo juiz André Rodrigues Nacagami, da comarca de Cidade Ocidental, a um casal de Diadema. Eles se deslocaram mais de 1000 quilômetros, em uma viagem que durou 13 horas, e foram de van em buscar o grupo de irmãos, já que não caberiam todos em um carro convencional.

Em novembro de 2016 chegou ao conhecimento do Conselho Tutelar que as crianças estavam sofrendo maus tratos da mãe. Ao fazer a visita, o conselheiro tutelar Ray Lopes de Oliveira verificou que os irmãos não frequentavam a escola, não tinham alimentação e estavam em péssimas condições de higiene. O que levou as crianças a serem abrigadas em uma casa de acolhimento na cidade até que a situação fosse definida. Foram 11 meses no local. Lá os irmãos puderam estudar, brincar e comer.

“Eu gostava de lá, mas tinha muito medo de sair sem meus irmãos”, desabafou a irmã mais velha. Com apenas 13 anos, a menor sabia que a possibilidade de se separar dos irmãos era grande, já que tudo indicava que poderiam ser adotados. “Cada um poderia ir para um lado e eu não queria isso. Meus irmãos são tudo o que eu tenho”, disse. A menina sensibilizou um casal do interior de São Paulo.

Além da consciência do risco que corria de ficar longe dos irmãos, a menor sabe também que apesar de estar longe da mãe biológica, ela e os irmãos ficarão bem. “A minha irmã mais velha está usando drogas. Eu tive a oportunidade de ter usado drogas, mas não quis. Vai ser bom para nós ir embora”, desabafou.

A.F.G é aposentado e V.O.G gestora social. Eles são casados há 27 anos, tem dois filhos e quatro netos. “Inicialmente pensamos em adotar uma das crianças, mas o medo da M.V.S ficar longe dos irmãos mexeu com a gente”, relatou o aposentado. “Foi algo de comum acordo. Eles são unidos e eu pensava e se em dia eles se separarem. A menina não queria que isso acontecesse, mas se acontecesse o que eu poderia fazer? Família não é para viver separado. Família é amor e amor não é só falar é viver”, afirmou emocionado para o juiz durante a audiência.

A gestora social disse que conheceu a história das crianças e notou que a mais velha tem um amor incondicional pelos irmãos mais novos. “Quando conversávamos, ela sempre me falava que nunca queria se separar dos irmãos. Ela já cuidava deles quando ainda moravam com a mãe”, salientou. Ainda na audiência, a mulher afirmou que os filhos dela, que são casados, concordaram e os apoiaram a buscar os garotos.

Separação dos cinco irmãos
Para o juiz, com a iminência da destituição do poder familiar da mãe biológica, sendo o pai desconhecido, e não tendo os familiares mais próximos condições de acolhê-los, havia o risco concreto de se promover a separação dos cinco irmãos para a colocação em acolhimento familiar, na modalidade de guarda.

“Porquanto é muito difícil de verificar, nos dias de hoje, casais que tenham interesse de acolher, de uma só vez, cinco crianças e adolescentes. Por isso, foi muito gratificante concretizar a colocação em guarda desses cinco irmãos, que nunca tiveram a oportunidade de viver em um lar saudável, com um casal que tem interesse de orientar, acolher e educar esses menores, visando à futura adoção. Não tenho dúvidas de que o melhor interesse das crianças foi atendido de forma plena”, frisou. (Texto: Arianne Lopes / Fotos: Aline Caetano – Centro de Comunicação Social do TJGO)