Em que ano estamos: 2017 ou 1968?

Dilmar Ferreira*

Um dos assuntos mais intrigante da semana que terminou no último sábado foi a possibilidade de prorrogar os mandatos dos atuais titulares dos legislativos e executivos para 2020 com realização de eleições gerais naquele ano juntamente com as eleições para prefeitos e vereadores. Seria uma eleição para todos os cargos eletivos. Foi ai que me perguntei: em que ano estamos? Seria 2017 ou 1968 ou ainda em 1978?
O golpe civil/militar de 1964 sofreu um contragolpe em 1968, quando foi editado o famoso AI5, acabando com eleições diretas para presidente da República, governadores e prefeitos de capitais e áreas de segurança nacional, como foi o caso de Anápolis. Mas o contragolpe foi bem mais longe, ou seja, uma década mais tarde – 1978 – quando tivemos pela primeira vez eleições indiretas para 1/3 dos senadores, os quais ficaram conhecidos como senadores biônicos.
No período do chamado regime militar ninguém tinha garantia de nada e as leis mudavam conforme a necessidade que os militares tinham de mudar a legislação para garantir o regime. Que mesmo tendo uma Constituição, ela mudava conforme o interesse dos governantes. Agora, em pleno regime democrático, voltamos a falar em mudanças na legislação para garantir que o golpe perpetrado contra uma presidenta legitimamente eleita pelo voto popular, fosse cassada com base em um crime de responsabilidade que não existiu. Foi um golpe e o mundo inteiro sabe disso. Agora, como ocorreu em 1968, seria um golpe dentro do outro. Por coincidência esse golpe seria no de 2018, ou seja, quarenta anos depois.
O governo está vendo que se tiver eleição em 2018, a esquerda pode voltar a comandar o governo. Parece que está ficando cada vez mais evidente que a prioridade é tirar Lula do páreo, através de uma condenação em segunda instância, o que o levaria até mesmo a cumprir pena em regime fechado. Mas a Justiça, através do STF começa a reagir contra os interesses da extrema direita, através do juiz Sérgio Moro, que tenta a todo custo tirar o ex-presidente Lula do páreo.
Se a presidenta Dilma Rousseff foi retirada do comando do Governo sem motivo real, Sérgio Moro tenta fazer o mesmo e levar Lula para a cadeia sem provar a existência de crime praticado pelo ex-presidente. Da mesma forma que montaram uma farsa para justificar o impedimento de Dilma, o justiceiro de Curitiba está fabricando um crime para justificar a condenação de Lula. Tudo é possível.
Mas se o Moro não conseguir o seu objetivo com medo das ruas, os golpistas que comandam o governo já pensam em esticar o mandato de Michel Temer para mais dois anos, levando junto os mandatos dos governadores, senadores e deputados federais e estaduais. Seria um golpe dentro do golpe e para evitar que isso ocorra, só com uma revolução sangrenta, mas isso dificilmente aconteceria porque o povo brasileiro gosta mesmo é de futebol e samba, mesmo que os golpistas estejam sambando dentro do Congresso Nacional.
*Dilmar Ferreira é jornalista profissional (DRT042) e editor geral de O Anápolis