Em três oportunidades os presidentes da República compraram parlamentares para defenderem interesses políticos administrativos.

Reportagem de Dilmar Ferreira

Para quem acompanha de perto a verdadeira história político administrativa do Brasil deve lembrar que nos últimos 40 anos, três presidentes da República, cada um em sua época, provocaram buracos grandiosos no Tesouro Nacional ou nos bens da União com a finalidade de conseguirem alguma coisa que almejavam.

O primeiro foi o então presidente José Sarney (Arena/PMDB) que assumiu o governo com a morte do então recém-eleito (indiretamente por um colégio eleitoral) Tancredo Neves, avô de Aécio Neves, mas faleceu antes mesmo de ser empossado. Estamos no ano de 1995. Sarney, então na condição de vice-presidente eleito, assumiu o Governo para um mandato de quatro anos. Na metade do seu governo para o final, decidiu ampliar seu mandato para cinco anos e para isso teve que mudar a Constituição Brasileira. Para conseguir maioria de dois terços no Congresso Nacional, teve que comprar mais de uma centena de parlamentares. Liberou alguns milhões em forma de emendas parlamentares, comprou votos de deputados com dinheiro vivo, conforme comentários sem provas, etc. Mas para conseguir mais votos ainda liberou centenas de concessões de emissoras de Rádio (AM/FM) e televisão para vários políticos. Na época alguns deputados goianos foram beneficiados com essas benesses espúrias. Para saber quem foram os deputados goianos, basta observar a relação dos parlamentares da época e que hoje são donos de emissoras de rádios em Goiás.

O segundo caso ocorreu com o então presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) que foi eleito presidente da República em 1994. Até aquele ano não existia o instituto da reeleição e para continuar no Governo por mais quatro anos, FHC teve que mudar a Constituição Federal. Foi a maior compra de parlamentares de todos os tempos. Jorraram liberação de emendas parlamentares, mas existem várias denúncias, inclusive com um deputado da época que decidiu contar tudo e falou que teria recebido R$200 mil em dinheiro vivo do então presidente para votar a favor da Emenda Constitucional, que vigora até hoje, que permitiu que o presidente da República, governadores e prefeitos pudessem disputar uma reeleição sem deixar o cargo. Com isso a corrupção triplicou no país e todos os detentores de mandatos, para conquistarem a reeleição passaram a formar caixas de campanha, para isso passaram a cobrar abertamente propinas dos prestadores de serviços para a administração, seja ela, municipal, estadual ou federal.

 

O terceiro e último fato é o que vivenciamos atualmente com o presidente Michel Temer, para evitar que a Câmara dos Deputados autorize que o STF possa investigar e processá-lo criminalmente, está distribuindo todo tipo de vantagens, muitas delas indevidas ou pelo menos amorais, para evitar seu afastamento do Governo e consequentemente a sua condenação e possivelmente sua prisão. Dizem que o presidente da República pode chegar a um gasto superior a R$15 bilhões para atender as reivindicações dos parlamentares e evitar assim que a Câmara dos Deputados autorize o Supremo Tribunal Federal a abrir processo criminal contra ele, o que o afastaria imediatamente do comando do Governo. O início da sangria começou na semana passada e vai continuar até o dia da votação do pedido de autorização que deve ocorrer a partir do dia 2 de agosto, quando os deputados retornam do recesso do meio do ano. A sangria é a maior da história e as finanças do Governo Federal que estão no fundo do poço tende a piorar ainda mais, com o povo brasileiro pagando o pato.

Desde o fim dos governos militares, em meados da década de oitenta até hoje são mais de 40 anos que o Brasil vive em plena Democracia, mas nunca antes a corrupção alastrou tanto em todas as esferas da Federação como agora vem ocorrendo. O aumento da corrupção foi tão grande que até corruptos e pessoas que venderam votos no passando estão hoje falando de honestidade. São os hipócritas que acham que a história os livrou de seus crimes, mas ainda existem jornalistas profundamente honestos e vacinados contra todo tipo de corrupção que estão registrando também esses fatos dos corruptos do passado que estão hoje falando de honestidade.

Para falar de honestidade e combater a corrupção, é necessário que cada pessoa faça uma análise de suas vidas e se algum dia fez algo que denigre sua honra e sua credibilidade, cuidado ao jogar pedras. E se você encontrar nas entrelinhas de sua biografia algo que possa macular a sua conduta moral, então é melhor o silêncio. O silêncio é muito utilizado pelos sábios para a meditação, também é utilizado pelos omissos, mas aconselha-se que seja bem utilizado para aqueles que ontem participaram de algum ato de corrupção, de omissão e que preferiram o silêncio para não denunciar os corruptos, faça opção agora pelo silêncio, par evitar que seja chamado de hipócrita.

1 comentário


  1. Infelizmente a corrupção está presente em todos os partidos a tempos, só não entendi Dilmar, o porque você esqueceu de mencionar nessa sua lista, o Luladrão e a Dilmalandra, foram 14 anos usurpando o poder, esqueceu? Procure fazer um jornalismo ético, pautado na verdade Dilmar. Seus leitores agradecem .

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