Lava Jato: MPF/GO requisita instauração de inquérito policial para apurar pagamentos feitos pela Odebrecht a Sandro Mabel

Investigação em Goiás tem início após informações prestadas por ex-executivos da construtora por meio de acordos de delação premiada

O Ministério Público Federal em Goiás (MPF/GO), por meio do Núcleo de Combate à Corrupção, requisitou nesta quarta-feira (17) ao Departamento da Polícia Federal do estado a instauração de inquérito policial para apurar supostos pagamentos ilícitos feitos, em 2010, por ex-executivos da construtora Odebrecht ao então deputado federal Sandro Mabel (PMDB/GO).

A investigação em Goiás é uma das várias ramificações da Operação Lava Jato e tem início após declínio de competência do Supremo Tribunal Federal (STF) que enviou à 5ª Vara da Justiça Federal em Goiás as informações prestadas à Procuradoria-Geral da República (PGR) pelos ex-executivos da construtora. Os depoimentos são frutos dos acordos de delação premiada assinados com o MPF.

Os ex-executivos João Antônio Pacífico Ferreira e Ricardo Roth Ferraz de Oliveira relataram pagamentos feitos, a pretexto de doação de campanha, ao então candidato a deputado federal Sandro Mabel. O valor seria de R$ 100 mil, pagos por meio de recursos não contabilizados, mas registrados no sistema “Drousys” (sistema informatizado da construtora que registrava os pagamentos ilegais). Já Benedicto Barbosa da Silva Júnior, terceiro na hierarquia do grupo empresarial, relatou que a Odebrecht pagou outros R$ 140 mil ao ex-deputado naquele mesmo ano.

Há indícios de que os recebimentos das vantagens teriam relação com o exercício do mandato, mais precisamente em razão da influência política de Mabel nas esferas de governos (municipais/estadual) em Goiás, que poderia ser utilizada em benefício dos interesses comerciais da Odebrecht relacionados a obras públicas no estado.

Crime de corrupção – Para o procurador da República Helio Telho Corrêa Filho, responsável pelo caso, os fatos indicam a suposta prática do crime de corrupção. A PF tem o prazo de dez dias para a instauração do inquérito policial, que tem por objetivo a obtenção de provas que corroborem as declarações dos colaboradores.

Como primeira medida, sem prejuízo de outras diligências úteis ao esclarecimento dos fatos, o MPF/GO requisitou, além da oitiva do ex-deputado federal, que se ouçam os colaboradores, com a finalidade de esclarecer melhor os detalhes e as circunstâncias dos pagamentos, bem como o fornecimento de provas ou a indicação dos meios de prova que possam comprovar as declarações.