Operação Reverso: grupos atuavam tentando confundir o Estado

Coletiva ocorreu no auditório do MP-GO

Após o final da Operação Reverso, realizada na manhã desta terça-feira (28/11), em Goiânia, os integrantes do Comitê Interinstitucional de Recuperação de Ativos do Estado (Cira) concederam entrevista coletiva, na sede do Ministério Público de Goiás (MP-GO), onde explicaram como funcionava o esquema dos 11 estabelecimentos alvo de mandados de busca e apreensão.

Segundo eles, os grupos que comandam as empresas atuavam tentando confundir a fiscalização do Estado. Dentre as 11, havia três empresas que eram devedoras principais do Estado. São elas a Aquarela Doces e Festas; a Bambolê Doces e Festas e a Fabiantex Malhas. Além delas, há ainda a Ipanema, criada para suceder a Aquarela, que atingiu R$ 195 milhões em dívidas.

A Ipanema, do ramo de supermercados, no entanto, apesar de criada para suceder a empresa anterior, ainda não teve os débitos reconhecidos. Todas elas funcionam no bairro de Campinas, em Goiânia, e são comandadas por três famílias que atuam conjuntamente, somando ao todo 14 pessoas e três cabeças que comandavam a atuação.

Destas três empresas, o grupo criou outras três empresas de participação que passaram a receber o patrimônio dessas três empresas principais aos poucos, tanto para estas empresas de participação quanto para as pessoas físicas ligadas a elas. Com isso, quando havia a execução fiscal dos débitos das três empresas principais, o Estado não encontrava nenhum bem das mesmas, pois já haviam sido transferidos, o que criou um débito de R$ 274 milhões, que foram bloqueados pela Justiça.

Apesar da operação ter sido realizada no âmbito cível, os integrantes do Cira explicaram que houveram indícios de vários possíveis crimes cometidos pelos responsáveis pelas empresas, tais como associação criminosa, lavagem de dinheiro, fraude fiscal, além de movimentação financeira bastante elevada, incoerente com o ramo de atuação das mesmas, dentre outros crimes.

Durante a operação foram apreendidos diversos documentos como notas promissórias, notas fiscais, cheques em branco com assinatura de empresas parceiras, além de dinheiro em espécie. Toda a documentação agora será analisada pelo comitê e avaliado qual deles serão válidos para a ação civil e para a ação criminal a serem protocoladas na Justiça.

Participaram da coletiva o promotor de Justiça Antônio de Freitas, que coordena o Cira; a delegada da Polícia Civil Tatiane Cruvinel; os procuradores do Estado Marcílio Ferreira e Raimundo Diniz, além dos auditores da Secretaria da Fazenda Gabriela Vitorino e Bruno Marçal. (Texto: Fagner Pinho – Fotos: João Sérgio / Assessoria de Comunicação Social do Ministério Público de Goiás)

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