Prefeitura de Anápolis vai deixar de coletar lixo hospitalar em dezembro

A Secretaria de Meio Ambiente da Prefeitura de Anápolis está notificando os hospitais, laboratórios, consultórios odontológicos e demais prestadores de serviços de saúde de que a partir do próximo mês não fará mais a coleta de lixo originado por essas entidades prestadoras de serviços. De acordo com a Prefeitura, cada organização ficará responsável pelo descarte desse material. De acordo com o documento que está sendo expedido pela Secretaria do Meio Ambiente a partir de agora cada empresa terá que dar destinação final do lixo produzido e que a decisão obedece a normas estabelecidas pela ANVISA – Agência Nacional de Vigilância Sanitária.

De acordo com a Resolução RDC nº 33/03, os resíduos são classificados como:

  • Grupo A (potencialmente infectantes) – que tenham presença de agentes biológicos que apresentem risco de infecção. Ex.: bolsas de sangue contaminado;
  • Grupo B (químicos) – que contenham substâncias químicas capazes de causar risco à saúde ou ao meio ambiente, independente de suas características inflamáveis, de corrosividade, reatividade e toxicidade. Por exemplo, medicamentos para tratamento de câncer, reagentes para laboratório e substâncias para revelação de filmes de Raio-X;
  • Grupo C (rejeitos radioativos) – materiais que contenham radioatividade em carga acima do padrão e que não possam ser reutilizados, como exames de medicina nuclear;
  • Grupo D (resíduos comuns) – qualquer lixo que não tenha sido contaminado ou possa provocar acidentes, como gesso, luvas, gazes, materiais passíveis de reciclagem e papéis;
  • Grupo E (perfurocortantes)nbsp;- objetos e instrumentos que possam furar ou cortar, como lâminas, bisturis, agulhas e ampolas de vidro.

 

Os resíduos perfurantes, contaminados com patógenos ou infecciosos, quando despejados de forma incorreta em aterros sanitários comuns, trazem um grande risco aos catadores de lixo. Os indivíduos podem ser contaminados caso entrem em contato com alguns desses materiais.

No documento não consta orientação para o descarte, limitando tão somente a passar a responsabilidade para quem origina esse material. Mas o que fazer com esse tipo de lixo? Será que as empresas que originam esse lixo vão ser fiscalizadas e o descarte vai ser acompanhado por algum órgão governamental? Editar normas como fez a Anvisa e como a Prefeitura está procedendo é fácil. O problema é saber onde vai ser armazenado esse material e como a sociedade pode confiar que tudo esteja sendo feito dentro das normas estabelecidas.

O medo das pessoas é que muitos desses lixos podem parar na zona rural, nos subúrbios e, até mesmo próximos aos mananciais de água ou que possa atingir o lençol freático e contaminar o ecossistema. Diariamente pessoas inescrupulosas jogam todo tipo de lixo  nas margens das estradas da zona rural sem nenhum tipo de fiscalização. Quem pode garantir que esse material não vai ser descartado ilegalmente em regiões pouco habitada e distante do controle dos órgãos responsáveis. A Prefeitura não pode simplesmente sair do problema sem que haja uma profunda modificação e fiscalização para dar fim adequado a esse material. Tudo indica que a sociedade está correndo risco com essa decisão unilateral da Prefeitura, apenas para atender determinação da ANVISA.  Essa semana o vereador Antônio Gomide fez a denúncia na Tribuna da Câmara Municipal de Anápolis e criticou a medida que será adotada pela Prefeitura, sem que antes tomem as devidas providências.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *