Especialista alerta

Especialista alerta para sentimentos de tristeza e angústia durante as festas de fim de ano

A cultura de fazer um balanço final de cada ano é um incentivo para a revisão de projetos pessoais e profissionais, avaliação de objetivos pretendidos, reflexões sobre si mesmo e relacionamentos. Mas, o ritual da avaliação que marcou os últimos meses pode despertar sentimentos de constrangimentos, tristeza e angústia, podendo desencadear estresse emocional e resultar em depressão de fim de ano. Porém, Jéssica Vaz Malaquias, consultora de Telepsicologia da Saúde Digital, alerta que o diagnóstico de quadros clínicos de depressão precisa de mais indicadores do que a aparente tristeza e a angústia que surgem nesses momentos de dezembro.

“Vivemos em uma sociedade que cobra por resultados o tempo todo e faz questão de exigir que estejamos sempre felizes. E isso, por si só, nos angustia. É preciso ponderar que a tristeza também tem seu lugar e é um sentimento importante, sendo parte da nossa personalidade. Entretanto, não podemos denominar esses sentimentos como depressão”, considera a especialista.

Antes de se autodiagnosticar, é necessário identificar se de fato o quadro clínico psiquiátrico está presente. Para isso, Jéssica orienta consultar um profissional capacitado para uma avaliação adequada e destaca que é importante observar cada caso individualmente. “Os quadros depressivos englobam diminuição da energia e das atividades, hipersonia, hiperfagia ou recusas alimentares, aumento de peso, perda da capacidade de experimentar, prazer, perdas de memória e de concentração. Aparecem, ainda, sentimentos de baixa autoestima, ideias frequentes de incapacidade e de autoculpabilização”, explica.

A especialista destaca que a mudança na rotina e as interações sociais características desse período podem ser ansiogênicas e, para quem já convive com algum transtorno psiquiátrico, o fim de ano pode ser ainda mais delicado. Pessoas com depressão têm uma tendência muito aumentada em dar significados negativos aos eventos e podem apresentar piora do quadro depressivo. Por isso, é importante se planejar e aprender a manejar a pressão dessa época festiva, capaz de produzir uma série de afetos paradoxais.

“Situações externas podem potencializar esses sentimentos e fazer com que o indivíduo sinta algo diferente em comparação com os demais meses do ano. Um luto recente ou mal resolvido, questões financeiras e conflitos prévios nesses períodos são exemplos de circunstâncias capazes de afetar os sentimentos”, comenta Jéssica.

Depressão sazonal

Segundo a especialista, com base no Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais – 5ª Edição, a depressão sazonal é tida como Transtorno Depressivo não especificado. “No Brasil, há poucos estudos sobre a temática. Encontramos alguns artigos dispersos que analisam sintomas de humor deprimido em pessoas na região Sul do nosso País. Nos estudos empreendidos, geralmente busca-se traçar correlações entre as estações do ano e alterações no comportamento humano. O sujeito com depressão sazonal demonstra o humor mais deprimido na estação invernal, por exemplo, e remissão dos sintomas nas estações da Primavera e Verão”, conta.

Tratamento indicado

O mais indicado é procurar espaço de escuta e acolhimento em um contexto de cuidado em saúde mental. É possível, a depender do caso, encontrar esse cuidado em relações afetivas, como junto a amigos e familiares. “Às vezes, uma boa conversa sobre os afetos pode auxiliar a ver as coisas com mais clareza e a aliviar frustrações e angústias”, considera a especialista. Entretanto, o cuidado profissional especializado pode cuidar das demandas de forma mais profunda e com técnicas específicas.

“É preciso legitimar esses sentimentos e mergulhar um pouco nessas sensações. Não ter medo do que se está sentindo é o primeiro passo para olharmos para dentro de nós e identificarmos aquilo que está nos mobilizando emocionalmente. Converse com pessoas próximas sobre o que está sentindo, principalmente para que o indivíduo possa conhecer outras perspectivas e analisar suas circunstâncias de vida sob outras perspectivas”, conclui.

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