Murillo Torelli, professor de Ciências Contabeis da Universidade Presbiteriana Mackenzie (UPM).

A partir de 1º de fevereiro, a gasolina e o diesel sofrerão aumentos devido à mudança na alíquota do ICMS. O imposto da gasolina subirá 7%, chegando a R$ 1,47 por litro, enquanto o diesel sofrerá um acréscimo de 5%, atingindo R$ 1,12 por litro. Isso significa que o preço dos combustíveis na bomba aumentará de forma expressiva, pressionando a inflação e impactando diretamente o bolso dos brasileiros.
A situação se agrava com a defasagem dos preços praticados pela Petrobras em relação ao mercado internacional. Atualmente, o diesel da estatal está R$ 0,55 abaixo da paridade de importação, enquanto a gasolina apresenta uma defasagem de R$ 0,24. Essa estratégia de represamento de preços já se mostrou catastrófica no passado, resultando em uma perda de R$ 100 bilhões para a Petrobras durante o governo Dilma.
A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, já avisou Lula que um reajuste nos combustíveis será inevitável. A pressão dos investidores é grande e o mercado teme que o governo interfira artificialmente nos preços para evitar desgaste político, algo que já foi feito antes.
É importante lembrar como o governo Bolsonaro enfrentou o problema dos combustíveis durante sua gestão. Sob uma conjuntura extremamente desfavorável, com pandemia e duas guerras impactando o preço do petróleo, Bolsonaro adotou medidas efetivas para conter o aumento dos combustíveis sem comprometer a saúde financeira da Petrobras. Entre as ações, destacam-se:
- A criação do teto de 17% para o ICMS sobre combustíveis;
- A isenção do PIS e COFINS sobre o óleo diesel;
- A manutenção da independência da Petrobras em relação à política de preços.
Essas medidas, à época, foram duramente criticadas por adversários políticos, que as rotularam como “eleitoreiras”. No entanto, hoje, diante do caos anunciado, questiono: o governo Lula será capaz de adotar soluções semelhantes para evitar uma crise ainda maior?
A realidade é que o governo atual parece mais preocupado em evitar o desgaste político do que em resolver, de fato, o problema. Sem soluções concretas e eficientes, os aumentos de combustíveis impactarão diretamente o custo de vida da população, elevando a inflação e reduzindo ainda mais o poder de compra dos brasileiros.
O tempo dirá se Lula aprenderá com os erros de Dilma ou se insistirá em um caminho que já provou ser desastroso. A população, no entanto, já vai começar a sentir no bolso os efeitos dessa política equivocada.
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