Coordenador técnico do Mova-se Fórum de Mobilidade, Miguel Angelo Pricinote, aponta que embora o problema se evidencie no período chuvoso, a questão climática não é a principal causa das ruas esburacadas. Especialista defende maior fiscalização e adoção de tecnologias modernas
Imagem ilustrativa de manutenção asfáltica – Crédito: Freepik
As recentes chuvas intensas em Goiânia têm exposto as condições precárias do asfalto nas principais vias da cidade, especialmente com relação aos buracos que surgem após os fortes temporais. O problema não é exclusivo: o Brasil é o segundo país com o pior asfalto do mundo, segundo estudo feito pelo portal CupomVálido, com dados da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) e do portal britânico Compare The Market. As patologias do asfalto, como rachaduras, buracos e deformações, são comuns em várias regiões do Brasil e afetam significativamente a qualidade de vida da população, o que evidencia a urgência de soluções eficazes.
Para o coordenador técnico do Mova-se Fórum de Mobilidade, Miguel Angelo Pricinote, a análise das causas dessa situação revela um conjunto de fatores interligados, dentre os quais se destacam: a falta de planejamento adequado para a manutenção das vias, a utilização de materiais de baixa qualidade nas obras de pavimentação, a execução inadequada dos serviços e a ausência de fiscalização eficaz. “A consequência direta desses fatores é a redução da vida útil do pavimento, principalmente no período chuvoso, gerando custos elevados para a sociedade com a realização de reparos constantes, como as operações tapa-buracos, e a substituição prematura do revestimento”, avalia Pricinote.
Os impactos da deterioração da malha viária são multifacetados e englobam desde os aspectos econômicos até os sociais e ambientais. Do ponto de vista econômico, o coordenador do Mova-se destaca que os buracos nas ruas geram prejuízos significativos para os usuários, com o aumento dos custos de manutenção dos veículos, a perda de tempo em decorrência de congestionamentos e a elevação dos custos operacionais das empresas de transporte. “Sob a perspectiva social, a precariedade da malha viária compromete a segurança dos usuários, além de comprometer a acessibilidade para pessoas com mobilidade reduzida”, pontua.
Soluções
Para reverter esse quadro, é fundamental a adoção de um conjunto de medidas que visem à melhoria da gestão da malha viária. Nesse sentido, Pricinote ressalta a necessidade de investir em planejamento estratégico e priorizar a utilização de materiais de ponta, a adoção de tecnologias modernas de pavimentação e a realização de um controle de qualidade rigoroso durante a execução das obras como medidas essenciais para garantir a durabilidade do pavimento. “Em Nova York, nos Estados Unidos, por exemplo, o clima é levado em conta tanto na execução quanto na manutenção do pavimento. Os materiais usados consideram o histórico de clima de cada estação, já que o revestimento asfáltico é muito suscetível a temperatura, para o frio e para o calor”, explica.
Outro modelo de sucesso é aplicado nas ruas de Berlim, na Alemanha, onde, além de utilizarem maior espessura de camada asfáltica e maior compactação do solo de fundação, há a restrição da circulação de caminhão em pistas específicas dentro da cidade. No Brasil, para que esse cenário fosse viável, Pricinote entende que a fiscalização rigorosa das obras de pavimentação e a aplicação de penalidades para as empresas que não cumprirem as normas técnicas são medidas indispensáveis para garantir a qualidade dos serviços prestados e a preservação dos pavimentos. “A deterioração da malha viária urbana é um problema complexo que exige soluções integradas e de longo prazo”, finaliza.
Sobre o Mova-se Fórum Nacional de Mobilidade @movaseforumdemobilidade
O Mova-se Fórum Nacional de Mobilidade foi criado em 2021 por especialistas em mobilidade urbana de diversas áreas, com o intuito de discutir e contribuir com soluções para a mobilidade do Brasil. O grupo, que começou com quatro integrantes e hoje conta com mais de 600 profissionais – entre técnicos, pesquisadores e professores do segmento no país –, tornou-se destaque em pesquisas e desenvolvimento de conhecimento sobre transporte público, pedestres, vias inteligentes e temas relacionados.