Bolsas globais registram quedas em meio ao acirramento das tensões comerciais
 

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, colocou em prática seu plano de taxar as importações, impondo tarifas de 25% sobre produtos do Canadá e México e 10% da China. Em resposta, o governo chinês anunciou na última terça-feira (4) uma retaliação ainda mais agressiva, determinando tarifas sobre importações americanos como 15% sobre carvão e gás natural liquefeito (GNL) dos EUA, além de 10% sobre petróleo bruto, equipamentos agrícolas e determinados automóveis.

O economista e sócio da iHUB Investimentos, Lucas Sharau, lembra que essa medida de Trump não é uma novidade, mas que gera apreensão. “Quando assumiu a presidência pela primeira vez, Trump adotou sanções tributárias contra algumas nações, inclusive a China. Inicialmente, isso gerou forte apreensão no mercado, que temia uma guerra comercial, assim como hoje”, comentou.

Além disso, Pequim abriu uma investigação antimonopólio contra o Google, da Alphabet, e sinalizou possíveis sanções contra empresas norte-americanas. “As novas tarifas impostas pela China são um claro recado de que o país está disposto a endurecer as negociações. O impacto disso não se restringe apenas às empresas diretamente afetadas, mas reverbera em toda a cadeia produtiva e nos mercados globais”, afirma Lucas.

Reação do mercado global 

A retaliação chinesa sobre carvão, gás natural liquefeito, petróleo bruto, máquinas agrícolas e veículos de grande porte eleva os custos de importação e pode pressionar os preços ao consumidor nos EUA. Esse cenário aumenta o risco de inflação no curto prazo, elevando custos para empresas e consumidores.

No mercado financeiro, a reação foi negativa, com quedas expressivas nas bolsas globais. Investidores buscaram ativos mais seguros, como ouro e dólar, evitando ações dos setores diretamente afetados. “O tarifaço pode gerar um movimento de aversão ao risco, levando à volatilidade nos mercados e pressionando ações de setores dependentes de importações e exportações”, analisa Lucas.

A melhor estratégia para o investidor 

“Momentos de tensão podem representar oportunidades para compra de ativos subvalorizados, tanto no mercado de ações quanto em renda fixa”, destaca Sharau.

Segundo ele, títulos do governo e ativos defensivos, como empresas de consumo básico e saúde, podem ser boas alternativas para proteger o portfólio contra a volatilidade do mercado. Além disso, é importante acompanhar as negociações comerciais e ajustar estratégias conforme necessário.

No Brasil, apesar de não haver sanções diretas, o cenário pode abrir oportunidades comerciais. Se produtos de países sancionados perderem competitividade, o país pode ganhar espaço no mercado americano.

“É uma grande oportunidade para se posicionar estrategicamente e ocupar lacunas deixadas por países impactados pelas sanções”, finaliza.