Plano elaborado pelo MJSP e pelo CNJ reúne uma série de medidas para combater violações de direitos humanos nos presídios brasileiros
Brasília, 17/2/2025 – Brasília – Os Correios lançaram, na noite dessa quarta-feira (12), selo postal institucional em celebração ao Plano Pena Justa. A solenidade ocorreu durante o evento de lançamento do projeto, realizado na sede do Supremo Tribunal Federal (STF), e foi conduzida pelo diretor de Gestão de Pessoas da empresa, Getúlio Marques Ferreira.
A emissão foi obliterada pelo presidente do STF e do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), ministro Luís Roberto Barroso; pelo ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski; e pelo procurador-geral da República, Paulo Gonet Branco.
Em sua fala, o diretor dos Correios destacou que os selos postais mantêm sua relevância ao indicar o que cada nação escolhe como símbolo de um tempo. “O selo que lançamos hoje representa um marco histórico para o nosso país. Simboliza a evolução da nossa visão de sociedade e da percepção de que a violação dos direitos humanos traz efeitos nefastos para todos. O Plano Pena Justa é resultado de um debate amadurecido ao longo de décadas pelos três poderes brasileiros”, afirmou.
“Estar aqui é motivo de muito orgulho para os Correios. Agradeço ao CNJ e à Segurança Pública pela oportunidade de fazermos parte deste momento importante para a história do Brasil”, ressaltou Getúlio, ressaltando que o papel dos Correios, orientado pelo Presidente da República, é servir à população brasileira, não apenas pela entrega de cartas e encomendas, mas como agente de políticas públicas.
O dirigente lembrou ainda da parceria firmada entre os Correios e o CNJ para integrar e expandir a abrangência da campanha Papai Noel dos Correios e do programa Jovem Aprendiz. Um dos acordos formaliza o apoio da estatal ao programa Novos Caminhos/CNJ, que busca desenvolver as potencialidades e contribuir para a autonomia dos jovens em acolhimento institucional. Por meio do programa Jovem Aprendiz dos Correios, esses jovens terão acesso à capacitação e oportunidades de emprego, promovendo sua autossuficiência financeira. Outra parceria firmada entre as instituições prevê a participação das Unidades de Acolhimento selecionadas pelas Coordenadorias da Infância e da Juventude dos Tribunais de Justiça para participarem de uma das maiores campanhas natalinas do país, o Papai Noel dos Correios, que em 2024 completou 35 anos de atuação. A ideia é promover um Natal mais alegre às crianças e adolescentes assistidos por essas unidades jurisdicionais.
Pena Justa – O Plano Nacional para Enfrentamento do Estado de Coisas Institucional nas Prisões Brasileiras foi elaborado pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) e pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ), e reúne uma série de medidas para combater e dirimir violações de direitos humanos nos presídios brasileiros.
Homologado em dezembro de 2024 pelo Supremo Tribunal Federal (STF), o Plano deve guiar a atuação de todos os estados e o Distrito Federal nos próximos anos. Tem como objetivo assegurar que as mudanças implementadas sejam duradouras, sem retrocessos. O documento, aprovado pela Casa Civil, contém 51 ações com 306 metas a serem alcançadas até 2027, além de mais de 140 medidas desenvolvidas em colaboração entre os Poderes Executivo e Judiciário.
Essas medidas estão organizadas em quatro áreas principais: controle da entrada e das vagas prisionais para combater a superlotação; melhoria da infraestrutura e dos serviços; processos de saída e reintegração social; e garantia da continuidade das transformações.
Acordos de Cooperação – Durante o evento, o CNJ e o MJSP assinaram um protocolo de intenções, e celebraram parcerias com diferentes instituições para enfrentar os desafios do sistema prisional brasileiro, com foco em financiamentos, inserção profissional, empreendedorismo, e qualificação para egressos e pessoas privadas de liberdade:
Os estudos para a construção do Plano Pena Justa revelaram que o sistema penitenciário brasileiro, que opera à margem da Constituição, não apenas compromete a dignidade das mais de 1,5 milhão de pessoas que cumprem pena dentro e fora dos presídios, como também impacta negativamente familiares, agentes penais, seguranças, prestadores de serviço e gestores penitenciários.
O plano foi elaborado em colaboração entre os Poderes Executivo e Judiciário, com o apoio de 59 instituições. Ao longo do processo, houve contribuição significativa da sociedade civil, com a participação de 6 mil pessoas por meio de consultas e audiências públicas.