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Dark Horse ou a Operação Juiz de Fora

O Azarão — tradução literal de Dark Horse, reforça o herói improvável

por O Anápolis
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A cinebiografia internacional Dark Horse — ou O Azarão — já nasce como um dos filmes mais controversos da história política recente do Brasil. O roteiro vazado, escrito originalmente em inglês pelos irmãos Cyrus e Mark Nowrasteh, revela uma narrativa que mistura política, religião, fantasia e elementos clássicos da jornada do herói, transformando Jair Bolsonaro em uma figura épica, quase messiânica, enquanto retrata adversários políticos sob um viés crítico e, por vezes, caricatural.

O enredo central gira em torno da campanha presidencial de 2018 e do atentado a faca em Juiz de Fora, tratado no texto como um momento de “ressurreição”. O roteiro descreve jornalistas como “abutres” e o socialismo como “uma doença infecciosa”, termos que aparecem nas rubricas técnicas, e não apenas nos diálogos — reforçando o tom ideológico da obra.

Personagens reais surgem com nomes alterados, como Maria do Rosário transformada em “Gloria de Rosales” e Adélio Bispo rebatizado como “Aurélio Barba”, retratado como um militante radical em reuniões sombrias. Já Alexandre de Moraes aparece de forma indireta, descrito como um homem careca e esguio observando a posse presidencial em uma sala escura.

A produção aposta em um elenco internacional, com Jim Caviezel — conhecido por interpretar Jesus Cristo em A Paixão de Cristo — no papel de Bolsonaro. Michelle Bolsonaro será vivida por Camille Guaty, enquanto os filhos Flávio, Carlos e Eduardo também aparecem na trama. Jair Renan, porém, foi completamente excluído do roteiro.

O filme alterna momentos de exaltação religiosa com cenas que tentam aproximar Bolsonaro do “homem comum”, reforçando a dualidade entre mito e simplicidade. Em uma das passagens, uma senhora misteriosa entrega pílulas caseiras ao candidato, dizendo que foram enviadas por Deus para protegê-lo de uma febre iminente — e depois desaparece “como um fantasma”.

Outro ponto que alimenta as polêmicas é o calendário de lançamento: Dark Horse está previsto para estrear em 11 de setembro, poucas semanas antes das eleições presidenciais. O timing levantou questionamentos sobre o impacto político da obra, especialmente após o vazamento de áudios que ligam o financiamento do filme ao escândalo envolvendo o Banco Master.

Até o momento, segundo a reportagem, o longa ainda não consta na base de dados da Ancine, o que adiciona mais uma camada de controvérsia ao projeto.

Com linguagem hollywoodiana, forte carga simbólica e um protagonista retratado como herói épico, Dark Horse promete dividir opiniões e ampliar o debate político no país — dentro e fora das salas de cinema.

 

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