A estratégia busca levar para as unidades prisionais estaduais procedimentos, tecnologias e métodos de atuação já adotados pela Polícia Penal Federal no Sistema Penitenciário Federal, considerado referência nacional em controle e monitoramento de internos de alta periculosidade. O objetivo é dificultar a comunicação de criminosos com o mundo exterior, impedir a entrada de materiais proibidos e fortalecer a capacidade operacional das administrações penitenciárias.
Entre as principais iniciativas está a Operação MUTE, realizada simultaneamente em unidades prisionais de todas as regiões do país. A ação mobiliza policiais penais federais e estaduais em revistas estratégicas e atividades de inteligência voltadas à apreensão de celulares e outros materiais ilícitos utilizados por detentos. Por questões de segurança, os presídios selecionados não são divulgados antecipadamente.
Os números demonstram a dimensão do trabalho desenvolvido. Desde maio de 2026, as operações MUTE mobilizaram mais de 13 mil policiais penais em todo o Brasil. Nesse período, foram realizadas revistas em mais de 10 mil celas distribuídas em 312 unidades prisionais, resultando na apreensão de 2.447 aparelhos celulares. A retirada desses equipamentos é considerada fundamental para interromper ordens criminosas, extorsões, golpes virtuais e outras atividades organizadas a partir do interior dos presídios.
Outra frente importante é a modernização tecnológica de 138 unidades prisionais consideradas estratégicas pelos órgãos de inteligência penal. Os investimentos incluem a distribuição de equipamentos capazes de aumentar a eficiência das inspeções e reduzir riscos para os servidores.
Até o fim da semana, o Rio de Janeiro receberá dois body scanners, equipamentos utilizados para inspeções corporais detalhadas e não invasivas. Já os estados do Pará, Rio de Janeiro, Ceará, Paraíba, Rio Grande do Sul e Espírito Santo serão contemplados com georradares e kits de varredura. Os georradares auxiliam na identificação de alterações em solos e estruturas, podendo indicar túneis ou esconderijos, enquanto os kits de varredura ajudam na localização de dispositivos eletrônicos ocultos.
Nos últimos meses, outros investimentos também foram destinados aos estados. Sete unidades da Federação já receberam 35 aparelhos de raios X, entre elas Rio de Janeiro, Ceará, Pernambuco, Maranhão, Tocantins, Goiás e Mato Grosso. Além disso, o Governo Federal repassou quatro drones para apoio às ações de vigilância, sendo um destinado ao Espírito Santo e três ao Ceará.
Paralelamente, segue em andamento a Operação Modo Avião, que atualmente atua nos estados do Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Ceará e Paraíba. A iniciativa utiliza Equipamentos Táticos de Revista Eletrônica (ETREs), capazes de identificar sinais e dispositivos eletrônicos operando de forma irregular no ambiente prisional. As informações coletadas servem como base para ações de inteligência e direcionam revistas mais precisas em áreas consideradas sensíveis.
Somente ao longo de 2026, a Operação Modo Avião já realizou 260 ações em 96 unidades prisionais brasileiras, reforçando o monitoramento tecnológico e ampliando a capacidade de detecção de equipamentos clandestinos.
A qualificação dos profissionais também integra a estratégia nacional. Na Bahia, policiais penais participam do Curso de Procedimentos Operacionais, voltado ao aperfeiçoamento das rotinas de segurança nas unidades prisionais. Já em Goiás ocorre o III Curso de Análise de Imagens com Uso de Inteligência Artificial, direcionado ao uso de equipamentos de raios X e scanners corporais.
A formação em Goiás deve capacitar cerca de 60 policiais penais, que recebem treinamento para operar equipamentos modernos e interpretar imagens utilizando ferramentas de inteligência artificial. A tecnologia auxilia na identificação de objetos ilícitos e aumenta a precisão das inspeções realizadas nos estabelecimentos penais.
O cronograma de capacitações continuará nas próximas semanas. Pernambuco receberá o treinamento entre 28 de setembro e 2 de outubro. Em seguida, as atividades ocorrerão no Ceará, de 7 a 14 de outubro; em Mato Grosso, entre 19 e 23 de outubro; no Maranhão, de 28 de outubro a 4 de novembro; e, por fim, no Tocantins, entre 16 e 21 de novembro.
Com a combinação de inteligência, investimentos em tecnologia e formação profissional, o Governo Federal busca elevar o padrão de segurança do sistema prisional brasileiro e dificultar a atuação das facções criminosas que utilizam as penitenciárias como centros de comando para atividades ilegais. A expectativa é que a ampliação desses recursos fortaleça a capacidade dos estados de prevenir crimes, proteger os servidores e garantir maior controle sobre as unidades prisionais em todo o país.
A ofensiva nacional revela uma mudança de estratégia do poder público, que aposta cada vez mais na integração entre União e estados, aliando informação, tecnologia e especialização para enfrentar um dos principais desafios da segurança pública brasileira: impedir que o crime organizado continue operando de dentro dos presídios
