A discussão ocorre em um momento de preocupação crescente entre especialistas, principalmente por causa do envelhecimento da população e do aumento do número de pessoas com condições que enfraquecem o sistema imunológico. O herpes-zóster é provocado pela reativação do vírus da catapora, que permanece no organismo mesmo após a recuperação da infecção inicial.
Os números mais recentes indicam que, ao longo de 2025, foram registrados cerca de 49 mil atendimentos ambulatoriais relacionados à doença em todo o país, além de mais de três mil internações. Somente no primeiro semestre de 2026, os registros já ultrapassaram 33 mil atendimentos e mais de 1,5 mil hospitalizações, demonstrando que o problema continua presente em diferentes regiões brasileiras.
Os estados mais populosos concentram a maior parte dos registros. São Paulo aparece na liderança nacional, seguido por Rio de Janeiro e Minas Gerais. Especialistas explicam que, embora raramente seja fatal, a doença pode provocar dores intensas e persistentes, comprometendo significativamente a qualidade de vida dos pacientes.
O herpes-zóster geralmente se manifesta por meio de bolhas e lesões na pele, acompanhadas de ardência, queimação e sensibilidade elevada. Em muitos casos, mesmo após o desaparecimento das lesões, a dor permanece por meses ou até anos. Essa complicação, conhecida como neuralgia pós-herpética, é considerada uma das consequências mais incapacitantes da doença.
O risco aumenta especialmente entre pessoas acima dos 50 anos e pacientes imunossuprimidos, como transplantados, pacientes em tratamento contra o câncer e pessoas que convivem com infecções que afetam as defesas do organismo.
Diante desse cenário, avançou no Senado Federal a análise do Projeto de Lei nº 4.426/2025, de autoria da senadora Dra. Eudócia. A proposta original previa a vacinação gratuita contra o herpes-zóster para idosos com mais de 60 anos, mas acabou sendo ampliada durante sua tramitação.
O texto atualizado passou a contemplar também pessoas a partir dos 50 anos de idade e adultos imunossuprimidos com mais de 18 anos, ampliando significativamente o alcance da futura política pública de imunização.
A proposta recebeu parecer favorável em comissões do Senado e avançou após aprovação na Comissão de Assuntos Sociais. A expectativa entre entidades ligadas à saúde é que a ampliação da cobertura vacinal possa reduzir o número de casos graves, diminuir internações e aliviar a pressão sobre o sistema público de saúde.
Mesmo com o avanço da proposta, é importante destacar que a vacina ainda não está disponível de forma gratuita nos postos de saúde. Como houve alterações no texto original durante sua análise legislativa, a matéria ainda precisa cumprir etapas regimentais antes de seguir para apreciação da Câmara dos Deputados e, posteriormente, para eventual sanção presidencial.
Até que isso aconteça, o SUS continua oferecendo assistência médica e tratamento medicamentoso aos pacientes diagnosticados com a doença, mas ainda não disponibiliza a vacinação universal prevista no projeto.
Para médicos e especialistas em infectologia, a discussão sobre a ampliação da vacinação representa um passo importante na prevenção de uma enfermidade que afeta principalmente pessoas mais vulneráveis. A avaliação é que o investimento em imunização pode gerar benefícios não apenas para os pacientes, mas também para o sistema de saúde, reduzindo custos associados a internações, complicações neurológicas e tratamentos prolongados.
Enquanto o Congresso continua discutindo a proposta, a orientação dos profissionais de saúde é que a população procure atendimento médico diante dos primeiros sintomas, especialmente quando surgirem dores localizadas acompanhadas de lesões na pele. O diagnóstico precoce continua sendo uma das principais ferramentas para evitar complicações e acelerar a recuperação.
O avanço do projeto no Senado mostra que o tema ganhou relevância nacional e pode representar, nos próximos anos, uma mudança importante na estratégia de prevenção do herpes-zóster no Brasil, especialmente para idosos e pacientes com maior risco de desenvolver formas graves da doença.
