Ao contrário das pesquisas estimuladas, nas quais os entrevistados recebem uma lista de candidatos para escolher, a modalidade espontânea exige que o eleitor cite, de memória, o nome de sua preferência. Por isso, analistas políticos costumam considerar esse indicador uma fotografia mais próxima da consolidação das candidaturas junto ao eleitorado.
O levantamento do instituto Meio/Ideia, divulgado em 30 de setembro, mostrou um cenário de empate técnico entre os dois principais concorrentes. Lula apareceu com 31,5% das citações espontâneas, enquanto Flávio Bolsonaro registrou 30,5%. A diferença de apenas um ponto percentual fica dentro da margem de erro da pesquisa, estimada em 2,2 pontos percentuais.
Nesse mesmo levantamento, outros candidatos aparecem em um segundo patamar. Augusto Jorge Cury alcançou 4%, seguido por Romeu Zema Neto, com 3,5%, Ronaldo Ramos Caiado, com 3,1%, e Renan Antônio Ferreira dos Santos, com 1,7%.
Já a pesquisa do instituto Palver, divulgada um dia antes, apresentou uma vantagem mais ampla para Lula. O presidente registrou 42% das intenções espontâneas de voto, contra 38% de Flávio Bolsonaro. Nesse levantamento, o destaque entre os candidatos que buscam romper a polarização ficou com Renan Antônio Ferreira dos Santos, que chegou a 8%. Augusto Jorge Cury e Ronaldo Ramos Caiado apareceram com 1% cada.
O terceiro levantamento analisado, realizado pelo instituto BTG/Nexus, reforça a liderança de Lula, embora também indique uma disputa competitiva. Segundo os dados divulgados, o atual presidente somou 41% das citações espontâneas, enquanto Flávio Bolsonaro registrou 35%. Na sequência aparecem Renan Antônio Ferreira dos Santos, com 4%, Augusto Jorge Cury, com 3%, e Ronaldo Ramos Caiado, com 2%.
Apesar das diferenças metodológicas entre os institutos, os números revelam uma tendência comum: a maior parte do eleitorado que já definiu seu voto espontaneamente está concentrada em torno de dois polos principais. Isso indica que a disputa presidencial caminha para uma reta final marcada pela consolidação das candidaturas mais competitivas e pela busca dos demais concorrentes por espaço entre os eleitores ainda indecisos.
Outro aspecto observado pelos especialistas é que a presença de nomes como Ronaldo Caiado, Augusto Cury, Renan Santos e Romeu Zema nas citações espontâneas demonstra que existe uma parcela do eleitorado procurando alternativas à polarização, embora esses grupos ainda apareçam numericamente distantes dos dois líderes nacionais.
A proximidade da votação faz aumentar a relevância desse tipo de levantamento. Historicamente, as pesquisas espontâneas tendem a ganhar maior importância nas últimas semanas de campanha, quando parte dos eleitores já consolidou sua escolha e reduz a possibilidade de mudanças bruscas de preferência.
Para Goiás, os números também são observados com atenção por lideranças políticas e analistas locais. O desempenho de Ronaldo Caiado nas pesquisas nacionais é acompanhado de perto por aliados e adversários, especialmente diante de sua projeção política construída ao longo dos últimos anos.
Com a campanha entrando nos momentos decisivos, os próximos levantamentos devem indicar se a disputa permanecerá concentrada entre os dois líderes ou se haverá espaço para crescimento de candidaturas alternativas. Até aqui, no entanto, os dados das pesquisas espontâneas sugerem que a corrida presidencial de 2026 segue marcada por uma forte polarização e por uma disputa voto a voto entre os principais nomes do pleito.
