Os trombolíticos são medicamentos capazes de dissolver coágulos que interrompem a circulação do sangue. Quando administrados rapidamente, salvam vidas e reduzem drasticamente o risco de sequelas. A nova lei não apenas reforça o uso desses medicamentos, já previsto nos protocolos do SUS, como também cria condições para que eles estejam mais disponíveis nas unidades que fazem o primeiro atendimento.
Durante a cerimônia, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, assinou a portaria que institui o Comitê de Acompanhamento da Implementação das Linhas de Cuidado dos Agravos Cerebrovasculares e Cardiovasculares Tempo-Dependentes. O grupo terá a missão de propor estratégias para ampliar o acesso aos trombolíticos e qualificar a assistência, garantindo que o tratamento chegue ao paciente no momento certo — o que, nesses casos, faz toda a diferença.
A urgência do tempo
Os números mostram a dimensão do desafio. O Brasil registra entre 300 mil e 400 mil casos de infarto por ano. Em 2025, o SUS contabilizou 292 mil atendimentos por AVC, sendo 218 mil relacionados ao AVC isquêmico. São situações em que cada minuto conta: quanto mais rápido o diagnóstico e o início da terapia, maiores as chances de sobrevivência e menores os danos neurológicos ou cardíacos.
Em muitos municípios, a UPA é a porta de entrada do paciente com dor no peito ou sinais neurológicos. Nessas unidades, as equipes já podem fazer o diagnóstico e iniciar o tratamento com trombolíticos quando indicado. A lei sancionada agora abre caminho para que essa oferta seja ampliada e melhor estruturada, reduzindo o tempo entre o início dos sintomas e o atendimento adequado.
SAMU 192: uma frente que já salva vidas
O uso de trombolíticos pelo SAMU 192 não é novidade. Desde 2014, o Ministério da Saúde repassa recursos para que unidades de Suporte Avançado utilizem o medicamento tenecteplase. Em 2025, foram registradas 861 aplicações em sete estados — com destaque para o Ceará, Minas Gerais e Sergipe.
A ampliação prevista pela nova lei pode aumentar o número de unidades habilitadas e permitir que mais pacientes recebam o medicamento ainda durante o atendimento pré-hospitalar. Para quem vive longe de hospitais com capacidade para angioplastia, isso significa ganhar tempo até chegar à unidade de referência.
Um avanço que aproxima o cuidado
O SUS já possui linhas de cuidado estruturadas para infarto e AVC, com protocolos claros para diagnóstico e tratamento. A nova lei reforça essa rede, garantindo que UPAs e serviços de urgência tenham condições de iniciar a terapia trombolítica quando necessário.
Na prática, isso significa que mais pessoas — inclusive em cidades menores — poderão receber o medicamento no momento certo, aumentando as chances de recuperação e reduzindo o impacto das sequelas.
É um avanço que dialoga diretamente com a realidade brasileira: um país de dimensões continentais, onde o acesso rápido ao atendimento especializado nem sempre é possível. Ao aproximar o tratamento da população, o SUS dá mais um passo para salvar vidas e qualificar a assistência em situações críticas.
