O principal destaque para os goianos é a Operação Voo Cancelado, deflagrada pela Polícia Federal em parceria com a Polícia Civil de Goiás. A investigação aponta a existência de uma estrutura criminosa que utilizava aeronaves de pequeno porte para transportar cocaína da Bolívia para o Brasil. O grupo não atuava apenas no transporte da droga. Segundo os investigadores, havia uma cadeia organizada que envolvia financiamento das viagens, recrutamento de pilotos, aquisição de entorpecentes, logística aérea e distribuição da carga em território nacional.
A apuração ganhou força após uma ocorrência registrada na Região Metropolitana de Goiânia. Em Goianira, policiais interceptaram cerca de 150 quilos de cocaína que haviam chegado por via aérea. A partir desse episódio, os órgãos de segurança passaram a compartilhar informações e identificaram uma rede com atuação interestadual. A Justiça Federal autorizou sete mandados de prisão preventiva, 14 mandados de busca e apreensão e o sequestro de cinco aeronaves supostamente utilizadas pela organização criminosa. As diligências ocorreram em Goiás, Minas Gerais, Pará e Maranhão.
Enquanto Goiás aparecia como peça importante na investigação do tráfico internacional, uma grande mobilização nacional ocorria em paralelo. Coordenada pela Polícia Federal, a Operação Força Integrada IV reuniu 20 bases das Forças Integradas de Combate ao Crime Organizado (FICCOs) em 19 estados brasileiros. O foco foi atingir facções envolvidas com tráfico de drogas, comércio ilegal de armas, homicídios, extorsão e lavagem de dinheiro.
Os números impressionam. Foram expedidos 106 mandados de prisão e 173 mandados de busca e apreensão. Mais do que prender suspeitos, a estratégia teve como objetivo enfraquecer a estrutura financeira das organizações criminosas. Por determinação da Justiça, foram bloqueados, sequestrados ou restringidos bens que ultrapassam R$ 508 milhões, incluindo imóveis, veículos de luxo, contas bancárias e outros ativos.
Especialistas em segurança pública avaliam que esse tipo de atuação tem produzido efeitos mais duradouros que operações focadas apenas em prisões. A lógica é simples: quando os grupos perdem acesso aos recursos financeiros, encontram maiores dificuldades para comprar armas, recrutar integrantes, financiar rotas do tráfico e manter suas estruturas de proteção e corrupção.
Outro caso que chamou atenção nesta semana aconteceu no interior de São Paulo. O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) desencadeou a Operação Mimesis para investigar uma organização suspeita de comercializar roupas falsificadas pela internet. A apuração identificou aproximadamente R$ 199,8 milhões em movimentações bancárias entre pessoas e empresas ligadas ao esquema. Segundo o Ministério Público, as vendas teriam ocorrido por meio de plataformas digitais e envolveriam uma estrutura complexa de contas, empresas e perfis de vendedores.
