O resultado reflete uma combinação de fatores favoráveis. Além do ciclo de bienalidade positiva, fenômeno natural que alterna anos de maior e menor produtividade principalmente no café arábica, houve ampliação da área em produção, ganho de produtividade e maior adoção de tecnologias nas propriedades rurais. O uso de técnicas modernas de manejo, aliado a condições climáticas mais favoráveis em importantes regiões produtoras, contribuiu significativamente para o desempenho das lavouras.
A área efetivamente em produção foi estimada em cerca de 1,95 milhão de hectares, crescimento de 5,1% em comparação com 2025. Já a produtividade média nacional avançou quase 14%, passando de 30,4 para 34,6 sacas por hectare.
O principal responsável por essa expansão é o café arábica, variedade que representa aproximadamente 70% de toda a produção brasileira. A estimativa aponta para uma colheita de 48,2 milhões de sacas em 2026, um salto de 34,8% sobre o ano anterior.
Minas Gerais continua liderando a produção nacional da espécie. Sozinho, o estado deve colher quase 35 milhões de sacas de arábica. As regiões Sul e Centro-Oeste mineiras respondem por praticamente metade desse volume. A boa distribuição das chuvas antes da florada, aliada às condições climáticas favoráveis durante o desenvolvimento dos frutos, garantiu excelente formação dos grãos e altos índices de produtividade.
São Paulo também apresentou desempenho positivo. Os cafezais paulistas foram beneficiados por chuvas regulares, temperaturas amenas e boas condições para o desenvolvimento das plantas. Como resultado, a produção de arábica no estado deverá alcançar 6,19 milhões de sacas.
Enquanto o arábica bate recordes, a situação do café conilon apresenta um cenário diferente. A estimativa nacional é de 19,4 milhões de sacas, uma redução de 6,6% em comparação com a safra de 2025.
A principal explicação está no Espírito Santo, maior produtor brasileiro dessa variedade. As baixas temperaturas registradas em áreas produtoras provocaram uma florada irregular, reduzindo o potencial produtivo das lavouras. Com isso, a produção capixaba de conilon deverá recuar 14,3%, fechando em cerca de 12,1 milhões de sacas.
Por outro lado, a produção de arábica no próprio Espírito Santo deverá crescer mais de 30%, demonstrando a força da recuperação proporcionada pelo ciclo favorável e pelas boas condições climáticas observadas ao longo da safra.
Na Bahia, a produção total segue em trajetória de crescimento. O estado mantém sua posição de destaque ao produzir tanto arábica quanto conilon. A regularidade das chuvas, a entrada de novas áreas em produção e os investimentos realizados pelos produtores sustentaram uma expansão moderada da safra.
Outro destaque nacional é Rondônia. Com praticamente toda a colheita concluída, o estado registra uma das maiores taxas de crescimento do país. A safra de conilon deverá atingir 2,88 milhões de sacas, avanço de 24% sobre o ciclo passado. Técnicas modernas de cultivo e um regime de chuvas favorável contribuíram para elevar a produtividade e a qualidade dos grãos.
Além dos números do campo, o mercado também acompanha um desempenho expressivo nas exportações. Em agosto de 2026, o Brasil embarcou 3,8 milhões de sacas de café, o maior volume já registrado para o mês na série histórica. O resultado representa crescimento superior a 43% em relação a agosto do ano passado.
Apesar do recorde mensal, o acumulado das exportações entre janeiro e agosto ainda mostra retração de 6,6% quando comparado ao mesmo período de 2025. Essa oscilação é acompanhada de perto por produtores, cooperativas e exportadores, especialmente diante da movimentação do mercado internacional.
No cenário global, a expectativa também é de recorde. O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) projeta uma produção mundial de 189,7 milhões de sacas na temporada 2026/27. Ao mesmo tempo, o consumo global deve atingir 179,7 milhões de sacas, refletindo o crescimento contínuo da demanda em mercados tradicionais como Estados Unidos, Europa e Brasil, além da expansão observada em países asiáticos, com destaque para a China.
Esse equilíbrio entre aumento da produção e crescimento do consumo ajuda a explicar por que os preços internacionais permanecem relativamente sustentados. Embora a entrada da safra brasileira, a proximidade da colheita vietnamita e a recuperação da produção colombiana exerçam pressão de baixa sobre as cotações, os estoques globais ainda são considerados apertados para atender à demanda crescente.
Outro fator observado pelos analistas é a possibilidade de influência do fenômeno El Niño na próxima temporada. Caso ocorram impactos climáticos relevantes em regiões produtoras importantes, a oferta mundial poderá sofrer novas oscilações, mantendo o mercado atento aos desdobramentos meteorológicos.
Para o Brasil, os números de 2026 reforçam a posição de maior protagonista mundial do setor cafeeiro. Mais do que um produto agrícola, o café continua sendo um dos principais símbolos do agronegócio nacional, responsável por geração de emprego, renda, exportações e desenvolvimento em centenas de municípios produtores espalhados pelo país. O recorde desta safra demonstra a capacidade de adaptação dos produtores brasileiros e confirma a força de uma cultura que segue essencial para a economia nacional e para o abastecimento do mercado global.
