Lar PoliciaTirar proveito no momento de dor é a maior de todas as maldades do ser humano

Tirar proveito no momento de dor é a maior de todas as maldades do ser humano

A polícia Civil de Goiás não pode medir esforços para investigar e pedir a punição do todos os envolvidos na corrupção do SUS.

por O Anápolis
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A investigação da Polícia Civil de Goiás sobre a venda ilegal de vagas no SUS ganhou novos desdobramentos nas últimas 24 horas e segue revelando a dimensão do esquema que ficou conhecido como Operação Mercancia Torpe. Deflagrada no início de abril, a operação apura a atuação de um grupo que cobrava para inserir pacientes de forma fraudulenta nos sistemas oficiais de regulação, permitindo que consultas, exames e cirurgias fossem realizadas fora da ordem cronológica e sem critérios médicos.

Segundo a Delegacia Estadual de Combate à Corrupção, o esquema movimentava valores que variavam entre R$ 1.500 e R$ 5.000 por procedimento, dependendo da urgência e da complexidade. As investigações apontam que servidores públicos utilizavam acessos privilegiados aos sistemas SISREG e SERVIR para alterar prioridades, inserir pacientes sem documentação adequada e manipular artificialmente a fila de atendimento.

Ao todo, já foram cumpridos 52 mandados judiciais, com seis prisões — cinco delas de servidores públicos — além do afastamento de funcionários suspeitos de envolvimento. As ações ocorreram em Goiânia, Aparecida de Goiânia, Senador Canedo, Goianira, Catalão e outras cidades do interior. A Secretaria de Estado da Saúde informou que as primeiras irregularidades foram identificadas pelo próprio serviço de inteligência da pasta.

Nas últimas horas, a Polícia Civil confirmou que o deputado estadual Amilton Filho, do MDB, foi formalmente citado na investigação. Depoimentos colhidos pela Deccor mencionam seu nome como possível beneficiário político do esquema, por meio de uma intermediária identificada como “Odete”. Em nota, a defesa do parlamentar nega qualquer envolvimento e afirma que ele está à disposição da Justiça para esclarecimentos.

Outro nome citado é o de Conrado Victor Portugal da Silva, servidor concursado da Secretaria de Saúde de Aparecida de Goiânia, preso temporariamente e apontado como um dos operadores responsáveis por manipular os sistemas de regulação. A defesa ainda não se manifestou publicamente, e aliados políticos têm tratado o caso como um desvio individual de conduta.

A Polícia Civil afirma possuir provas materiais robustas. Entre elas, rastros digitais nos sistemas de regulação, comprovantes de PIX, áudios de negociação, planilhas com listas de apadrinhados e mensagens que mostram o compartilhamento irregular de senhas. As 24 quebras de sigilo bancário e fiscal autorizadas pela Justiça também revelaram movimentações financeiras compatíveis com os pagamentos feitos por pacientes.

A investigação segue em andamento, e a expectativa é que, nos próximos dias, a Deccor conclua a análise dos dados bancários para determinar se os valores recebidos pelos intermediários chegavam a gabinetes políticos ou permaneciam apenas entre operadores e servidores. O caso tem repercutido em todo o estado, especialmente por envolver o acesso ao sistema público de saúde e por ocorrer em ano eleitoral, o que aumenta a pressão por transparência e responsabilização.

A Polícia Civil reforça que qualquer cidadão pode acompanhar sua posição na fila oficial do SUS pelos canais de regulação municipal e estadual, e orienta que denúncias de irregularidades sejam feitas diretamente às autoridades competentes.

 

A nossa opinião diante desse fato:

A verdade precisa aparecer — e rápido

A Operação Mercancia Torpe expôs uma ferida que o povo goiano não aceita mais ignorar: a corrupção infiltrada no coração do sistema público de saúde. Quando servidores e intermediários transformam a dor humana em moeda de troca, o que está em jogo não é apenas a quebra da lei — é a quebra da dignidade.

O SUS existe para garantir atendimento igualitário. Fila não é privilégio, é critério técnico. Quando alguém paga para furá-la, outro alguém — geralmente pobre, vulnerável e sem voz — perde a chance de viver. É por isso que este jornal afirma, sem rodeios: não há crime mais cruel do que lucrar com o desespero de quem precisa de atendimento médico.

As investigações da Polícia Civil apontam nomes, funções, valores, rotas de pagamento e manipulação de sistemas oficiais. Entre os citados está o deputado estadual Amilton Filho, que nega envolvimento. E é justamente por isso que afirmamos: quem tem o nome lançado à suspeita deve ser o primeiro a exigir transparência total. O silêncio, neste momento, não protege reputações — destrói.

Vivemos em uma era em que a informação circula em segundos. Nenhuma figura pública pode permitir que seu nome permaneça associado a esquemas de corrupção sem buscar esclarecimento imediato. O eleitor tem o direito de saber quem age com integridade e quem não age. Política é serviço público, não patrimônio privado.

O Jornal O Anápolis reafirma seu compromisso histórico: não recuar diante de pressões, não suavizar denúncias, não relativizar crimes. A verdade precisa vir à tona — doa a quem doer. A imprensa só mantém sua credibilidade quando cumpre seu papel de fiscalizar, questionar e expor o que muitos tentam esconder.

A sociedade goiana está cansada de escândalos sem resposta. Este caso não pode ser mais um a cair no esquecimento. A saúde pública é sagrada. E quem a usa para benefício próprio deve ser responsabilizado com o peso da lei.

O povo exige respostas.
E este jornal continuará cobrando — todos os dias, até o fim.

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