A gestão da saúde em Anápolis enfrenta um dos momentos mais delicados dos últimos anos após a divulgação de uma auditoria do Tribunal de Contas dos Municípios de Goiás, que identificou um superfaturamento de R$ 349.737,04 na compra de insumos hospitalares adquiridos com recursos de emendas parlamentares.
Segundo o TCM-GO, a Secretaria Municipal de Saúde pagou valores acima dos preços de referência do próprio tribunal e do Governo Federal. Além disso, o órgão aponta indícios de baixa competitividade no processo licitatório, sugerindo que o edital pode ter favorecido fornecedores específicos.
Como consequência imediata, o Tribunal determinou a suspensão de novos pagamentos à empresa contratada e citou os gestores responsáveis para apresentarem defesa em até 15 dias. O caso também pode evoluir para uma Tomada de Contas Especial, rito mais rigoroso para apurar responsabilidades e buscar ressarcimento ao erário.
A auditoria levanta ainda outra suspeita grave: embora as notas fiscais tenham sido pagas, parte dos materiais não teria entrado fisicamente no estoque, o que coloca em dúvida a fiscalização dos contratos e a rastreabilidade das emendas.
O impacto político é inevitável. Os recursos utilizados vieram de emendas dos deputados Silvye Alves e Ismael Alexandrino, e o caso já provoca questionamentos na Câmara Municipal. A gestão municipal, por sua vez, articula internamente uma resposta técnica. Reuniões entre a Controladoria do Município e equipes administrativas buscam corrigir falhas nos “espelhos” de emendas e ajustar os processos à legislação atual.
Entre os responsáveis citados nos autos estão a então secretária de Saúde Eliane Pereira dos Santos, diretores administrativos e financeiros da pasta e o ex-prefeito Roberto Naves, que responde pela supervisão geral dos atos administrativos no período analisado.
Até o momento, a Secretaria Municipal de Saúde mantém silêncio público, o que é comum em casos de auditoria técnica, já que a defesa costuma ser apresentada primeiro diretamente ao Tribunal de Contas.
O caso agora segue para análise do TCM-GO, que deve avaliar as justificativas apresentadas pela prefeitura nas próximas semanas. Dependendo do resultado, o processo pode gerar responsabilizações administrativas, devolução de valores e até encaminhamentos ao Ministério Público.
O Jornal O Anápolis segue acompanhando cada etapa dessa investigação que coloca a gestão da saúde do município sob forte escrutínio técnico e político.
