O afastamento de Dilma Rousseff em 12 de maio de 2016 marcou o início de um dos períodos mais turbulentos da política recente no Brasil. Naquele dia, Michel Temer assumiu a presidência de forma interina, após o Senado aprovar a abertura do processo de impeachment. O afastamento definitivo veio em 31 de agosto de 2016, quando o Senado cassou o mandato de Dilma por 61 votos a 20, e Temer tomou posse como presidente efetivo poucas horas depois.
Ao todo, Temer governou o país por 963 dias, entre maio de 2016 e dezembro de 2018 — um período marcado por forte instabilidade política e por uma economia que tentava sair de uma das piores recessões da história.
Quando assumiu, o cenário era crítico. O dólar estava em R$ 3,47, a inflação acumulada em 12 meses chegava a 9,32%, e a taxa Selic permanecia em 14,25% ao ano, um dos maiores patamares da década. O desemprego atingia 11,2%, com mais de 11 milhões de brasileiros sem trabalho. A dívida pública federal somava quase R$ 2,9 trilhões, e a dívida bruta já se aproximava de 70% do PIB.
Durante o governo Temer, a economia iniciou uma recuperação lenta. O PIB, que havia despencado 3,3% em 2016, voltou a crescer 1,3% em 2017 e 1,8% em 2018, impulsionado principalmente pelo agronegócio e pela retomada gradual do setor de serviços. A inflação caiu para 3,75% em 2018, dentro da meta, e a Selic recuou para 6,50%, o menor nível até então.
O salário mínimo também passou por reajustes anuais, mas nem sempre acima da inflação. Entre 2015 e 2019, houve apenas dois anos com ganho real significativo, e em 2018 ocorreu a primeira perda real desde o início do século.
Ao final de 2018, o país ainda enfrentava desafios importantes: o desemprego seguia alto, com 11,6% da população ativa sem trabalho, e a dívida pública havia subido para R$ 3,87 trilhões, equivalente a 75,3% do PIB.
Salário
Durante o período em que Michel Temer esteve à frente da Presidência da República, entre maio de 2016 e dezembro de 2018, o salário mínimo brasileiro passou de R$ 880,00 para R$ 954,00, um aumento nominal de R$ 74,00 ao longo de quase três anos. No entanto, quando comparado à inflação acumulada do período, o reajuste não foi suficiente para manter o poder de compra do trabalhador.
A inflação oficial medida pelo IPCA somou 12,99% entre 2016 e 2018. Se o salário mínimo tivesse sido corrigido integralmente por esse índice, ele deveria ter alcançado R$ 994,31 ao final de 2018. Isso significa que o valor pago naquele ano — R$ 954,00 — ficou R$ 40,31 abaixo do necessário para preservar o poder de compra de 2016.
Na prática, o salário mínimo registrou uma perda real de aproximadamente 4% no período. Esse recuo reflete o impacto da crise econômica que o país enfrentava, marcada por inflação elevada no início do governo, juros altos, desemprego persistente e uma recuperação lenta do PIB.
O tema volta ao debate sempre que se discute o histórico recente da economia brasileira e os efeitos da recessão sobre a renda das famílias. O Jornal O Anápolis segue acompanhando a evolução dos indicadores econômicos e trazendo análises sobre o poder de compra do trabalhador brasileiro.
O período Temer ficou marcado por reformas estruturais, como a aprovação do teto de gastos, e por uma tentativa de estabilizar a economia após anos de recessão. Mas também foi um governo atravessado por crises políticas, denúncias e dificuldades de articulação no Congresso.
