A Polícia Federal desencadeou, nas últimas horas, um dos maiores conjuntos de operações simultâneas do ano, atingindo organizações criminosas envolvidas em tráfico internacional de drogas e armas, lavagem de dinheiro, fraudes em concursos públicos e crimes cibernéticos. As ações ocorreram em diversos estados e revelam a amplitude das redes criminosas que atuam no país.
A Operação Tirocinium foi o destaque do dia, mirando uma quadrilha altamente estruturada que enviava cocaína para a Europa e África utilizando portos brasileiros. A Justiça determinou o bloqueio de bens que podem chegar a R$ 646 milhões, incluindo 36 imóveis e contas bancárias de 35 investigados. Ao longo das investigações, foram apreendidas 4,6 toneladas de cocaína e um arsenal de guerra com fuzis, granadas e até uma metralhadora calibre .50. A quadrilha utilizava mergulhadores profissionais para esconder drogas nos cascos de navios ou camuflar o material em cargas lícitas. Mandados foram cumpridos em Santa Catarina, Paraná e Minas Gerais.
Outra frente importante foi a Operação Lucis, que cumpriu nove mandados de prisão preventiva e 32 de busca e apreensão em Mato Grosso do Sul, São Paulo, Mato Grosso e Bahia. A ação é um desdobramento da apreensão de 551,9 kg de cocaína em Ponta Porã e mira a lavagem de dinheiro ligada ao narcotráfico.
No combate ao tráfico internacional de armas, a Operação Scutum 3 foi deflagrada em Uberlândia, no Triângulo Mineiro. A PF investiga uma rede que trazia armamento pesado do Paraguai para abastecer facções do Rio de Janeiro e da Bahia. Entre os alvos está um ex‑militar do Exército e ex‑integrante do GSI, que utilizava um clube de tiro para testar armas contrabandeadas. A Justiça determinou o bloqueio de até R$ 66 milhões em bens ligados ao grupo.
Na área de fraudes, a Operação Último Elemento foi deflagrada na Zona da Mata de Alagoas, especialmente em União dos Palmares, para apreender celulares, computadores e mídias relacionadas a falsificações em concursos públicos federais.
Por fim, a PF também cumpriu mandados em uma operação voltada ao combate ao racismo cibernético, investigando perfis e canais de aplicativos de mensagens responsáveis por disseminar conteúdo discriminatório.
O conjunto dessas ações demonstra a atuação coordenada da Polícia Federal em diferentes frentes, atingindo desde o crime organizado transnacional até delitos digitais que afetam diretamente a convivência social. Novos desdobramentos são esperados ao longo da semana, especialmente nas operações que envolvem lavagem de dinheiro e tráfico internacional.
