O equipamento, que já está sendo comercializado, utiliza um eletrolisador de membrana PEM para quebrar moléculas de água e gerar hidrogênio em tempo real, queimando o combustível imediatamente e liberando apenas vapor d’água e oxigênio no ambiente. Os modelos de uma e duas bocas custam entre mil e mil e seiscentos dólares, segundo dados oficiais da própria empresa.
A tecnologia é real e funciona, mas especialistas em energia chamam atenção para um ponto importante: a comparação com fogões de indução, usada em campanhas publicitárias, não reflete a realidade física do processo. Embora o equipamento consiga operar por até seis horas com apenas 100 mililitros de água e 1 kWh de eletricidade, isso ocorre porque a chama gerada é extremamente fraca. Um eletrolisador converte eletricidade em hidrogênio com eficiência limitada, e a potência térmica resultante equivale a pouco mais do que uma vela acesa. Na prática, tarefas simples como ferver um litro de água podem levar mais de uma hora, enquanto um fogão de indução realiza o mesmo processo em poucos minutos.
Apesar das limitações, o projeto tem aplicações relevantes. Em regiões rurais isoladas, onde o fornecimento de gás é difícil, o fogão pode ser alimentado por painéis solares e oferecer uma alternativa limpa à lenha e ao carvão. Em cozinhas industriais que mantêm grandes panelas em fogo brando por longos períodos, o sistema pode reduzir custos e melhorar a qualidade do ar, já que libera oxigênio puro durante o funcionamento. A tecnologia também elimina a necessidade de transporte de botijões, reduzindo riscos e emissões.
O fogão a hidrogênio da Greenvize representa um avanço interessante no uso doméstico do hidrogênio verde, mas ainda está longe de substituir fogões tradicionais de alta potência. A inovação abre espaço para novas discussões sobre eficiência energética, segurança e o futuro das tecnologias limpas aplicadas ao dia a dia. Enquanto isso, engenheiros e consumidores observam com cautela o desenvolvimento dessa nova categoria de eletrodomésticos.
