A imagem, que mostra um soldado israelense colocando um cigarro na boca de uma estátua da Virgem Maria, viralizou nas redes sociais e provocou indignação entre comunidades cristãs libanesas e líderes religiosos.
O registro teria sido feito na vila de Dibil, uma comunidade majoritariamente cristã próxima à fronteira com Israel, e divulgado por militares das Forças de Defesa de Israel.
Em resposta, o Exército israelense afirmou que trata o caso “com a máxima gravidade” e que a atitude do soldado “não representa os valores da instituição”. Segundo as FDI, a foto foi tirada há algumas semanas e uma investigação formal já está em andamento. A corporação reforçou que “respeita todos os locais sagrados e símbolos religiosos”.
Mas este não é um episódio isolado. Em abril, um vídeo gravado na mesma vila mostrou um soldado israelense destruindo o rosto de uma estátua de Jesus Cristo com um martelo durante operações terrestres no sul do Líbano. O caso levou à prisão de dois militares, que foram afastados do serviço de combate por 30 dias.
Líderes cristãos no Líbano afirmam que episódios de desrespeito a locais religiosos têm se tornado mais frequentes nos últimos anos. Em 2023, um ataque aéreo israelense em Gaza atingiu um prédio ao lado da Igreja Ortodoxa Grega de São Porfírio, matando ao menos 18 pessoas. Em 2025, estilhaços de um tanque danificaram a Igreja da Sagrada Família, única paróquia católica de Gaza, deixando três mortos.
No mês passado, uma freira católica foi agredida em plena luz do dia em Jerusalém, fato que autoridades da Igreja classificaram como parte de um “padrão crescente de hostilidade” contra cristãos na Terra Santa.
O episódio ocorre em meio à escalada do conflito no sul do Líbano. Segundo autoridades libanesas, desde 2 de março mais de 2.700 pessoas foram mortas e cerca de 1,2 milhão foram deslocadas após o início das operações israelenses contra posições do Hezbollah. Mesmo com um cessar‑fogo mediado pelos Estados Unidos, tropas israelenses continuam atuando ao norte do rio Litani, ampliando uma zona de segurança de aproximadamente 10 quilômetros dentro do território libanês.
