Estudos nacionais mostram que fumantes representam a maioria dos diagnósticos de câncer no país, especialmente nos casos de pulmão, laringe, boca e esôfago. Apesar disso, o mercado legal de tabaco segue movimentando cifras bilionárias e contribuindo de forma expressiva para a arrecadação pública.
Atualmente, o cigarro é o produto de consumo mais taxado do Brasil. Cerca de 80% a 83% do preço final de cada maço corresponde a impostos. Com o reajuste recente do Imposto sobre Produtos Industrializados, o IPI fixo por maço passou para R$ 3,50, e o preço mínimo legal de venda foi estabelecido em R$ 7,50 como forma de combater o mercado ilegal. Somando tributos federais e estaduais, a indústria do tabaco recolhe entre 12 e 15 bilhões de reais por ano aos cofres públicos, sendo a maior parte proveniente do IPI, do PIS/Cofins e do ICMS.
Apesar da alta arrecadação, especialistas em saúde pública alertam para um paradoxo preocupante. Segundo estudos do Instituto Nacional de Câncer e da Fiocruz, o custo total do tabagismo para o Brasil ultrapassa 120 bilhões de reais anuais. Esse valor inclui despesas diretas do SUS com tratamentos de câncer, doenças respiratórias e cardiovasculares, além de perdas indiretas com mortes precoces e afastamentos do trabalho. Na prática, os impostos pagos pela indústria cobrem apenas uma pequena fração do prejuízo social e econômico causado pelo cigarro.
O tema reacende o debate sobre políticas públicas de prevenção, fiscalização e conscientização, especialmente em um país onde o contrabando de cigarros ainda representa grande parte do consumo. Para autoridades de saúde, a combinação de tributação elevada, campanhas educativas e ampliação de programas de cessação do tabagismo é fundamental para reduzir o impacto dessa droga legal que continua entre as principais causas evitáveis de morte no Brasil.
