Localizado sob a região amazônica, o aquífero impressiona pela escala: são cerca de 150 quatrilhões de litros de água armazenados em uma área que ultrapassa 1,2 milhão de quilômetros quadrados, volume suficiente para abastecer toda a população mundial por mais de dois séculos. O SAGA supera inclusive o Aquífero Guarani, até então considerado o maior da América do Sul.
A descoberta, embora celebrada pela comunidade científica, traz consigo um alerta importante. Especialistas destacam que o desafio não está apenas em identificar o recurso, mas em garantir governança hídrica, proteção ambiental e uso sustentável. A pressão sobre os recursos naturais da Amazônia, somada às mudanças climáticas e ao avanço de atividades econômicas sensíveis, exige planejamento rigoroso e políticas públicas que assegurem a preservação desse patrimônio estratégico.
Empresas de engenharia hídrica e hidrogeologia também chamam atenção para a necessidade de gestão responsável. O setor produtivo — especialmente mineração, agronegócio e saneamento — depende cada vez mais de análises técnicas precisas, segurança jurídica e monitoramento contínuo para evitar riscos de escassez, contaminação ou conflitos pelo uso da água. A descoberta do SAGA reforça a urgência de integrar ciência, tecnologia e governança para garantir que o Brasil transforme esse potencial em desenvolvimento sustentável.
Com o avanço das pesquisas, o país se prepara para discutir novos modelos de gestão e proteção dos aquíferos, reconhecendo que a água subterrânea será um dos recursos mais estratégicos do século. A confirmação do SAGA como o maior reservatório do mundo coloca o Brasil no centro desse debate global e amplia a responsabilidade sobre a preservação da Amazônia e de seus sistemas hídricos.
