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Terras raras e a disputa global chegam ao centro de Goiás

As terras raras, conhecidas como o “novo petróleo” da era tecnológica, voltaram ao centro do debate internacional e colocaram Goiás no mapa estratégico das maiores potências do mundo.

por O Anápolis
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Esses 17 elementos químicos, essenciais para a fabricação de carros elétricos, turbinas eólicas, smartphones e armamentos de alta precisão, tornaram-se o recurso mais disputado da atualidade. Embora não sejam exatamente escassos, são difíceis de extrair e ainda mais difíceis de refinar, o que explica por que poucos países dominam a cadeia completa de produção.

Hoje, a China lidera com folga esse mercado, controlando quase 70% da extração e cerca de 90% do refino mundial. Mas o Brasil aparece logo atrás, com a segunda maior reserva do planeta, dividindo o posto com o Vietnã. Estimativas da Agência Nacional de Mineração apontam que o país pode deter entre 15% e 23% de todas as reservas conhecidas, um potencial que reacende discussões sobre soberania mineral e industrialização interna.

No centro dessa disputa está Goiás. O município de Minaçu abriga a mineradora Serra Verde, considerada uma das operações mais estratégicas do mundo por produzir, em escala comercial, quatro dos elementos mais valiosos para a indústria de ímãs magnéticos usados em motores elétricos. A relevância é tão grande que os Estados Unidos, em uma movimentação geopolítica direta, adquiriram o controle da empresa por meio da USA Rare Earth, em um negócio avaliado em 2,8 bilhões de dólares. A operação contou inclusive com apoio financeiro do Eximbank, banco estatal norte-americano, como parte do esforço de Washington para reduzir sua dependência da China.

A compra acendeu alertas em Brasília. O governo brasileiro, que já vinha estruturando a Estratégia Nacional de Terras Raras, agora acelera medidas para evitar que o país continue exportando apenas minério bruto. Entre as ações em andamento estão a criação de um fundo de 5 bilhões de reais para financiar projetos de minerais críticos e a proposta de obrigar que parte significativa do minério extraído seja processada dentro do Brasil, agregando valor e gerando empregos de alta tecnologia.

Em Goiás, a movimentação é vista como uma oportunidade histórica. A presença da Serra Verde em Minaçu pode transformar o estado em um polo industrial de alta tecnologia, atraindo empresas de magnetos, componentes eletrônicos e até montadoras de veículos elétricos. Ao mesmo tempo, especialistas alertam para a necessidade de garantir que o país não perca o controle sobre um recurso estratégico justamente no momento em que o mundo disputa cada grama desses minerais.

A corrida global pelas terras raras está apenas começando, e Goiás, antes conhecido pela mineração tradicional, agora se posiciona como peça-chave no tabuleiro geopolítico que define o futuro da energia limpa, da indústria militar e da tecnologia mundial.

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