A Operação Compliance Zero, da Polícia Federal, segue revelando novos desdobramentos e ampliando o alcance das investigações sobre um dos maiores esquemas de fraude financeira, espionagem e coação já identificados no país.
Segundo a PF, a análise de celulares, computadores e documentos apreendidos nas fases anteriores da operação trouxe à tona mensagens, registros de encontros, repasses financeiros e tentativas de influência que conectam o banqueiro a figuras de destaque nos três Poderes.
Políticos citados nas investigações
Entre os nomes que surgiram nos relatórios policiais estão o senador Ciro Nogueira, investigado por suposta articulação de uma “emenda Master”, e o presidente da Câmara, Hugo Motta, citado em mensagens que indicam jantares e intermediação política.
Também aparecem o governador do Amapá, Clécio Luís, e ex-ministros da Fazenda como Henrique Meirelles e Guido Mantega, cujas consultorias receberam valores expressivos do banco.
O ex-presidente Michel Temer também é mencionado em relatório da Receita Federal por pagamentos de R$ 10 milhões ao seu escritório.
Empresários e operadores financeiros
No núcleo empresarial, além de Daniel Vorcaro, estão o pai dele, Henrique Vorcaro, preso na 6ª fase por ocultação de R$ 2,2 bilhões, e o primo Felipe Vorcaro, apontado como operador financeiro do esquema.
Outros nomes incluem Paulo Henrique Costa, ex-presidente do BRB, e executivos como Augusto Ferreira Lima, ex-CEO do Master.
Contatos de banqueiros como André Esteves e dirigentes do FGC também foram encontrados nos aparelhos apreendidos.
Citações no Judiciário e órgãos reguladores
Mensagens periciadas pela PF mostram contatos de Vorcaro com ministros do STF, como Alexandre de Moraes, Nunes Marques, Dias Toffoli e o ex-ministro Ricardo Lewandowski.
A corporação ressalta que a simples presença dos nomes não configura crime, mas o contexto das interações está sendo analisado.
Também foram identificados contatos com o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, e com o ex-diretor de fiscalização Paulo Sérgio Neves, alvo de busca e apreensão.
Núcleo de coação e espionagem
A operação também desarticulou o grupo conhecido como “Turma”, responsável por monitoramento ilegal, intimidação de jornalistas e autoridades e invasões cibernéticas.
Entre os integrantes estão o advogado Fabiano Zettel, o operador Daniel Monteiro, o policial federal aposentado Marilson Roseno e Luiz Phillipi Mourão, conhecido como “Sicário”, apontado como coordenador das ações de espionagem.
Uma delegada da Polícia Federal foi afastada por suspeita de vazar informações internas para o grupo.
A Compliance Zero expõe um esquema que movimentou bilhões de reais e alcançou estruturas de poder em Brasília e em diversos estados.
Para Goiás, onde o setor financeiro e logístico tem forte presença, o caso reforça a importância da fiscalização e da integridade institucional, especialmente diante de investigações que envolvem fundos previdenciários e possíveis conexões com agentes públicos.
