Investigações apontam que a estatal fluminense havia aplicado mais de duzentos milhões de reais em títulos do Banco Master, instituição financeira que entrou em colapso após ser alvo de investigações por suspeitas de fraude e insolvência. A quebra do banco, determinada pelo Banco Central, levou à suspensão de pagamentos e afetou diversos investidores, incluindo órgãos públicos.
Um dos pontos mais críticos do caso envolve a tentativa frustrada de recuperar parte desses recursos. Em maio de 2025, técnicos da própria Cedae chegaram a emitir uma ordem de resgate de cerca de quarenta e quatro milhões de reais aplicados no banco. No entanto, a operação foi cancelada pouco mais de uma hora depois, por determinação de superiores hierárquicos, sem justificativa formal registrada nos documentos oficiais da companhia
Segundo relatórios de auditoria e sindicância interna, a decisão de manter os investimentos ocorreu mesmo após alertas de órgãos técnicos da empresa sobre o risco elevado da instituição financeira. Com isso, a Cedae acabou ficando mais exposta à crise do Banco Master, o que contribuiu para um prejuízo que ultrapassa duzentos milhões de reais.
Outro elemento que chama a atenção é a proximidade entre dirigentes da estatal e executivos do banco. Após o colapso da instituição, um diretor da Cedae chegou a se reunir com o controlador do Banco Master, o banqueiro Daniel Vorcaro, que foi preso em investigações relacionadas a irregularidades financeiras. O encontro, segundo os documentos analisados, não teve como objetivo principal pressionar pela devolução imediata dos valores devidos.
O caso agora está sob análise de órgãos de controle e pode ser encaminhado ao Ministério Público, ao Tribunal de Contas e à Comissão de Valores Mobiliários para aprofundamento das investigações. A apuração busca esclarecer se houve falhas de governança, omissão de informações e até possível influência externa nas decisões que resultaram na manutenção dos investimentos de alto risco.
Para especialistas, o episódio reforça a necessidade de maior rigor na aplicação de recursos públicos e na transparência das decisões de gestores financeiros, especialmente em estatais que lidam com grandes volumes de dinheiro.
