A decisão ocorreu após uma nova força-tarefa de fiscalização, que reuniu técnicos da agência federal e das vigilâncias sanitárias estadual e municipal, constatar que a empresa corrigiu as falhas graves estruturais e apresentou um plano robusto para cumprir as 76 exigências sanitárias que haviam sido apontadas na inspeção de abril.
Com a desinterdição da planta industrial, os produtos fabricados a partir de 1º de abril de 2026 — como detergentes, lava-roupas líquidos e desinfetantes — estão oficialmente liberados para comercialização e uso seguro pela população. O presidente da Anvisa, Leandro Safatle, garantiu em nota que a unidade fabril restabeleceu as condições necessárias para operar sem oferecer riscos à saúde pública.
No entanto, o sinal verde não é total. A agência reguladora manteve a proibição rigorosa de venda e consumo para todos os lotes de desinfetantes, sabões líquidos e detergentes que possuam a terminação “1” em sua numeração de identificação. Esses itens específicos devem continuar retidos e guardados pela empresa e pelo comércio, aguardando a apresentação de laudos emitidos por laboratórios validados pela Anvisa para que possam, eventualmente, ser destruídos ou liberados.
A crise da marca ganhou contornos dramáticos no início de maio, quando a Anvisa determinou o recolhimento e a suspensão de mais de 100 lotes devido ao risco iminente de contaminação microbiológica. O alerta máximo das autoridades de saúde justifica-se pelo histórico recente da empresa: em novembro de 2025, a linha de lava-roupas da Ypê já havia enfrentado um recall por contaminação pela bactéria Pseudomonas aeruginosa. Embora esse micro-organismo seja inofensivo para pessoas saudáveis, ele representa um grave perigo de infecção hospitalar e sistêmica para indivíduos com baixa imunidade, como idosos, transplantados e pacientes oncológicos. A Anvisa informou que manterá um monitoramento contínuo sobre a fábrica para assegurar que os novos padrões de qualidade sejam cumpridos de forma permanente
