A Receita Federal, a Polícia Federal e o Ministério Público deflagraram, de forma simultânea, as operações Títulos Podres e Consulesa – Fase 2, atingindo uma organização criminosa altamente estruturada que movimentou centenas de milhões de reais em créditos tributários fraudulentos.
As investigações revelam um esquema sofisticado que utilizava os chamados “títulos podres” — créditos fiscais inexistentes — para compensar ilegalmente tributos federais. O grupo atuava oferecendo supostas “soluções tributárias” a empresas e até prefeituras, sempre com a promessa de reduzir ou zerar dívidas com o fisco.
A estrutura criminosa contava com escritórios de advocacia, consultorias tributárias, empresas de fachada e servidores públicos, que facilitavam o acesso a sistemas e documentos. Segundo os investigadores, o esquema evoluiu ao longo dos anos, adotando mecanismos de ocultação de valores, movimentações pulverizadas e uso de contas de terceiros, caracterizando também lavagem de dinheiro.
Operação Consulesa – Fase 2
- 29 mandados de busca e apreensão
- 4 mandados de prisão preventiva
- Ações em MG, SP e RJ
- Prejuízo estimado: R$ 670 milhões
- Medidas incluem bloqueio de bens, afastamento de servidores e sequestro de patrimônio
Operação Títulos Podres
- 40 mandados de busca e apreensão
- 6 mandados de prisão temporária
- Ações em MG, SP, ES e MA
- Prejuízo estimado: R$ 100 milhões
- Pelo menos 10 advogados estão entre os investigados
- Bloqueio judicial de R$ 32 milhões em bens e valores
A força‑tarefa afirma que o objetivo é interromper imediatamente a atividade da organização, preservar provas e recuperar parte dos recursos desviados. A estimativa é que o prejuízo total aos cofres públicos ultrapasse R$ 770 milhões.
As investigações continuam com a análise do material apreendido, que inclui computadores, celulares, documentos contábeis e procurações eletrônicas usadas para acessar sistemas da Receita Federal.
A expectativa é que novas fases sejam deflagradas nos próximos meses, já que a PF trabalha para identificar outros beneficiários do esquema e mapear a extensão completa das fraudes.
