A decisão do Ministério da Agricultura e Pecuária de proibir o uso de antibióticos como melhoradores de desempenho na alimentação animal marca uma das mudanças mais profundas na pecuária brasileira das últimas décadas. A nova regra, que atinge bovinos, suínos e aves, reforça uma tendência global de combate à resistência antimicrobiana e pressiona o setor a adotar práticas mais sustentáveis.
Especialistas afirmam que a decisão acelera uma transformação que já vinha ocorrendo dentro do setor. O zootecnista Fernando Carlos, gestor comercial da Nutriganho, destaca que a mudança exige revisão estrutural das práticas produtivas. Segundo ele, parte dos produtores já vinha se antecipando ao cenário, investindo em alternativas nutricionais como óleos essenciais e taninos, que ajudam a equilibrar o ambiente ruminal e fortalecer a saúde dos animais sem recorrer a antibióticos.
Fernando lembra que sistemas produtivos mais modernos já adotam essas estratégias há mais de duas décadas, e que a nova regulamentação deve ampliar a adoção dessas tecnologias. Além da questão sanitária, a mudança também atende a exigências de mercado, especialmente no comércio internacional, onde cresce a demanda por produtos de origem animal associados a práticas mais responsáveis e sustentáveis.
A expectativa é que a proibição impulsione a profissionalização da pecuária, com maior uso de soluções nutricionais avançadas, manejo mais eficiente e foco em qualidade. O setor deve passar por um período de adaptação, mas especialistas avaliam que a mudança tende a fortalecer a competitividade do Brasil no mercado global de proteína animal.
O Jornal O Anápolis segue acompanhando os desdobramentos dessa transição e os impactos para produtores, consumidores e para a cadeia agropecuária em todo o país.
