O governo federal oficializou nesta segunda‑feira, 4 de maio de 2026, a nova fase do programa de renegociação de dívidas, o Desenrola Brasil 2.0, por meio de Medida Provisória assinada pelo presidente Lula.
A principal novidade é a autorização para que trabalhadores utilizem até 20% do saldo do FGTS para quitar ou amortizar dívidas incluídas no programa. Essa é a primeira vez que o fundo poderá ser usado para esse tipo de finalidade. Técnicos do governo avaliam, porém, que o uso poderá ser limitado a casos em que o saldo seja suficiente para quitar o débito por completo, evitando endividamento residual.
O Desenrola 2.0 prevê ainda descontos que podem chegar a 90% do valor original das dívidas e estabelece juros máximos de 1,99% ao mês nas renegociações. O limite de renegociação será de até R$ 15 mil por pessoa, por instituição financeira, abrangendo dívidas de cartão de crédito, cheque especial, crédito pessoal e outros débitos considerados de alto custo.
Uma das medidas de proteção social mais comentadas é a restrição temporária ao acesso a plataformas de apostas. Quem aderir ao programa ficará impedido de realizar apostas online por um período de um ano, como forma de evitar que o endividamento renegociado seja substituído por novas dívidas de risco.
O governo afirma que o objetivo é reduzir a inadimplência, que voltou a crescer nos últimos meses, especialmente entre famílias de baixa renda. O anúncio oficial ocorreu após o presidente antecipar a medida em pronunciamento no Dia do Trabalhador.
Economistas avaliam que o programa pode ter impacto relevante no consumo e na reorganização financeira das famílias, mas destacam que o uso do FGTS deve ser acompanhado de cautela, já que o fundo também é destinado à proteção do trabalhador em situações de desemprego e à aquisição da casa própria.
