Um novo recorte estatístico divulgado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, em parceria com o Datafolha, expõe uma realidade dura e pouco debatida: 43% das mulheres evangélicas no Brasil já sofreram algum tipo de violência doméstica ou de gênero praticada por parceiros íntimos ao longo da vida.
Segundo o relatório Visível e Invisível, a taxa entre mulheres evangélicas é maior que a registrada entre católicas (35,1%) e que a média geral do país, que gira em torno de 32,4%. O estudo também mostra que 49,7% dessas mulheres relatam sofrer controle coercitivo, forma de violência psicológica marcada por vigilância constante, isolamento social e dominação emocional.
Outro dado que chama atenção é o caminho que essas vítimas percorrem em busca de ajuda. Entre as mulheres evangélicas que sofreram agressões, 69% procuram primeiro a igreja — pastores, pastoras ou membros da congregação. Apenas 28% recorrem às Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher, e somente 11% acionam o Ligue 180, canal oficial de denúncia.
Antropólogas e especialistas em gênero apontam que a forte centralidade do matrimônio, o medo do julgamento social e a pressão comunitária fazem com que muitas vítimas permaneçam em ciclos de violência sem buscar apoio institucional. Isso contribui para a subnotificação e dificulta a atuação dos órgãos de segurança pública.
Contexto e relevância para Anápolis e Goiás
Em cidades como Anápolis, onde a presença de comunidades religiosas é significativa, os dados reforçam a necessidade de ampliar políticas públicas de proteção, fortalecer redes de apoio e incentivar que mulheres busquem canais oficiais de denúncia. A violência doméstica continua sendo um dos crimes mais recorrentes no estado, e compreender seus recortes sociais é fundamental para enfrentá-la.
