Segundo dados do Ministério da Previdência Social, prefeitos e diretores de institutos previdenciários autorizaram as operações mesmo após pareceres contrários dos Conselhos de Previdência. A PF apura se houve vantagens indevidas, promessas de juros acima do mercado e fraudes documentais para viabilizar os repasses.
Principais cidades e prefeitos investigados
Entre os casos mais graves identificados pela PF estão:
- Maceió (AL) — R$ 117 milhões aplicados durante a gestão de JHC; assinaturas do conselho do Iprev teriam sido fraudadas.
- Cajamar (SP) — R$ 87 milhões investidos sob o prefeito Danilo Joan, alvo de mandados de busca.
- Aparecida de Goiânia (GO) — R$ 40 milhões aportados no AparecidaPrev em 2024, durante o mandato de Vilmar Mariano, após insistência do secretário da Fazenda Einstein Paniago, contrariando o conselho técnico.
- Araras (SP) — R$ 29 milhões aplicados em três operações; prefeitura abriu sindicância interna.
- São Roque (SP) — R$ 93,15 milhões investidos, quase 20% de toda a carteira previdenciária, sob o prefeito Guto Issa.
Outros municípios com aportes confirmados
A PF também investiga aplicações em:
- Congonhas (MG) — R$ 14 milhões
- Fátima do Sul (MS) — R$ 7 milhões
- São Gabriel do Oeste (MS) — R$ 3 milhões
- Jateí (MS) — R$ 2,5 milhões
- Angélica (MS) — R$ 2 milhões
- Santa Rita do Oeste (SP) — R$ 2 milhões
- Campo Grande (MS) — R$ 1,2 milhão
- Santo Antônio da Posse (SP) — valores sob auditoria
A PF aponta que, em vários casos, os prefeitos ignoraram pareceres técnicos, violaram regras de segurança e autorizaram aportes concentrados em um único emissor de risco — prática proibida pela legislação previdenciária.
Como isso se conecta ao esquema do Banco Master
As aplicações nos RPPS são consideradas pela PF como parte do núcleo financeiro da organização criminosa liderada por Daniel Vorcaro, que já está preso.
O banco teria oferecido rentabilidade artificialmente inflada, usando operadores financeiros e intermediários políticos para convencer prefeitos a direcionar recursos previdenciários para ativos de alto risco.
Em alguns municípios, como Maceió e Aparecida de Goiânia, há indícios de fraude documental, pressão política e manipulação de conselhos previdenciários.
Impacto nacional e risco aos servidores
Os RPPS são responsáveis por garantir aposentadorias e pensões de servidores municipais.
Quando esses fundos sofrem perdas, o prejuízo recai sobre:
- o orçamento municipal,
- os servidores ativos e aposentados,
- e a sustentabilidade financeira das prefeituras.
O Ministério da Previdência já classificou parte desses investimentos como irregulares, abrindo caminho para responsabilização administrativa, civil e criminal.
O caso de Aparecida de Goiânia, com R$ 40 milhões aplicados, acende alerta para todos os municípios goianos que administram fundos próprios de previdência.
A Compliance Zero expõe como decisões políticas podem comprometer recursos essenciais dos servidores e gerar rombos milionários nas contas públicas.
