O discurso do presidente Lula durante um evento da Petrobras em Sergipe, nesta sexta-feira, 29 de maio de 2026, ampliou a tensão política em torno da decisão dos Estados Unidos de classificar facções brasileiras como organizações terroristas. Para o TV Jornal O Anápolis, o pronunciamento marca um dos posicionamentos mais duros do governo federal sobre o tema.
Lula afirmou que integrantes da família Bolsonaro estariam incentivando interferência estrangeira em assuntos internos do Brasil, classificando a articulação como “traição à pátria”. O presidente disse que o país “não aceita ser tratado como republiqueta” e reforçou que já discutiu pessoalmente com Donald Trump estratégias de combate ao crime organizado, entregando documentos formais ao governo norte‑americano.
O presidente também criticou diretamente o senador Flávio Bolsonaro, que nesta semana pediu a Trump que classificasse facções brasileiras como terroristas. Lula afirmou que aliados do ex‑presidente Jair Bolsonaro estariam nos Estados Unidos buscando pressionar o governo americano contra o Brasil. Segundo ele, “não têm vergonha na cara de trair a pátria”.
O discurso incluiu ainda uma provocação a bolsonaristas que, segundo Lula, estariam se escondendo da Justiça brasileira em território americano. O presidente citou nomes como Alexandre Ramagem e Ricardo Magro, dizendo que, se o objetivo é combater o crime organizado, “que entreguem os nossos que estão lá”.
O Palácio do Planalto reforçou o tom crítico em nota oficial, classificando como “deplorável” a viagem de integrantes da família Bolsonaro aos EUA para tratar do tema. O governo alertou que a medida unilateral dos Estados Unidos pode prejudicar o compartilhamento de informações entre polícias, afetar o sistema financeiro brasileiro e até atingir inovações como o Pix, que vem sendo investigado por suposta “concorrência desleal”.
Apesar das críticas, o governo reconheceu a gravidade da atuação de facções como PCC e Comando Vermelho, afirmando que elas “praticam o terror” nas comunidades onde atuam. No entanto, reforçou que há diferença entre o terror motivado por lucro e o terrorismo internacional de natureza política, religiosa ou ideológica.
O Planalto destacou ainda a aprovação recente de uma lei que endurece penas contra facções e milícias, podendo chegar a até 80 anos de prisão, dentro do programa Brasil Contra o Crime Organizado, que atua desde o nível das ruas até o “andar de cima” das estruturas criminosas.
