Na manifestação, Caiado — que hoje atua em articulações nacionais e não ocupa mais o governo estadual — reafirmou que todos os contratos firmados durante sua gestão seguiram a legislação vigente e passaram por análises técnicas e jurídicas. Ele destacou que muitos desses convênios são antigos e foram renovados ao longo de diferentes administrações.
A defesa do ex-governador também enfatizou que o Estado tem colaborado integralmente com as investigações. De acordo com a nota, todos os documentos solicitados pela Polícia Civil e pelo Ministério Público foram entregues prontamente, reforçando o compromisso com a transparência.
Caiado ainda argumentou que a responsabilidade sobre eventuais irregularidades cometidas por dirigentes das fundações cabe às próprias instituições, e não ao governo contratante, cujo foco é a execução dos serviços previstos. O caso ganhou repercussão após a prisão de Adair Meira, apontado como um dos articuladores do esquema e que mantinha contratos milionários com o Estado.
Analistas políticos avaliam que a resposta de Caiado busca conter desgastes em um momento em que seu nome circula em discussões nacionais e em possíveis projetos eleitorais futuros. O episódio também reacende debates sobre a fiscalização de organizações sociais e fundações que prestam serviços públicos em Goiás.
Adair Meira
A prisão do empresário goiano Adair Antônio de Freitas Meira, de 63 anos, continua gerando forte repercussão em Goiás e no cenário nacional. Conhecido por sua atuação em projetos sociais e pela criação de instituições de grande alcance, Meira agora é investigado por suspeita de envolvimento em um esquema de lavagem de dinheiro ligado ao PCC, revelado em uma operação da Polícia Civil de São Paulo em abril de 2026.
Adair Meira construiu uma trajetória marcada por protagonismo no terceiro setor. Ele fundou a Fundação Pró-Cerrado, responsável pelo Programa Jovem Cidadão; criou o Sistema Sagres de Comunicação, com rádio, TV e plataformas digitais; e também está ligado à Renapsi, entidade voltada à formação profissional de adolescentes. Essas organizações, ao longo dos anos, firmaram contratos expressivos com o poder público, especialmente na área de aprendizagem profissional.
Segundo a investigação, Meira teria utilizado sua rede de empresas e fundações para movimentar cerca de R$ 34 milhões provenientes do tráfico de drogas. O dinheiro, de acordo com a polícia, circulava por meio de uma fintech chamada 4TBank, ligada a um operador da facção criminosa. Após a transferência para entidades controladas por Meira, os valores eram sacados em espécie — em alguns casos, transportados até mesmo em aeronaves fretadas.
O caso ganhou ainda mais destaque porque a Fundação Pró-Cerrado mantém contratos que somam aproximadamente R$ 141,5 milhões com o Governo de Goiás. A revelação provocou reações políticas e levou autoridades estaduais a reforçarem a necessidade de auditorias e revisões contratuais.
A defesa de Adair Meira nega todas as acusações. Em nota, afirma que o empresário sempre atuou dentro da legalidade, que não possui qualquer ligação com o crime organizado e que está colaborando com as autoridades para esclarecer os fatos. O posicionamento também destaca que as instituições fundadas por ele têm histórico de prestação de serviços reconhecidos e que eventuais irregularidades devem ser apuradas com rigor, mas sem prejulgamentos.
Especialistas apontam que o caso pode gerar mudanças significativas na forma como contratos com organizações sociais e fundações são fiscalizados em Goiás. A investigação também reacende o debate sobre a vulnerabilidade de entidades do terceiro setor a esquemas de lavagem de dinheiro, especialmente quando administram grandes volumes de recursos públicos.
