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Assassinatos e casos de trabalho escravo no campo aumentam no país

Comissão Pastoral da Terra apresenta dados sobre conflitos em 2025

por O Anápolis
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A violência no campo voltou a crescer no Brasil e acende um alerta nacional sobre a situação dos povos tradicionais, trabalhadores rurais e comunidades que vivem em áreas de conflito fundiário. O novo relatório divulgado pela Comissão Pastoral da Terra revela que, só em 2025, 26 pessoas foram assassinadas em disputas por terra, e a maior parte desses crimes ocorreu na Amazônia Legal, especialmente nos estados do Pará, Rondônia e Amazonas.

Segundo a CPT, esses números refletem o avanço de um modelo de ocupação que pressiona territórios indígenas, quilombolas e áreas protegidas. Para a Articulação das CPTs da Amazônia, esse cenário está ligado ao fortalecimento de um consórcio que envolve grilagem, crime organizado, setores privados e até agentes do Estado, atuando de forma coordenada para expandir atividades econômicas sobre terras públicas.

O relatório aponta ainda que fazendeiros são os principais agentes envolvidos nos assassinatos, responsáveis por 20 dos 26 casos registrados. Mas a violência não se limita às mortes. Houve aumento expressivo em outras formas de agressão: prisões arbitrárias, humilhações e até casos de cárcere privado cresceram de forma abrupta entre 2024 e 2025.

Um dos episódios mais graves ocorreu em Rondônia, durante a Operação Godos, quando a Polícia Militar interrompeu uma reunião pública com cerca de 100 famílias sem terra e servidores do Ministério do Desenvolvimento Agrário. A ação resultou em dezenas de denúncias de abuso de autoridade, humilhação e privação de liberdade.

A violência também se manifesta em outras frentes. Nos conflitos por terra, os casos mais frequentes envolvem invasões, pistolagem e contaminação por agrotóxicos. As principais vítimas são povos indígenas, posseiros, quilombolas e trabalhadores sem-terra. Já nos conflitos pela água, mineradoras, garimpeiros e grandes empreendimentos aparecem como os principais agentes causadores de danos, especialmente em regiões onde a disputa por recursos hídricos se intensifica.

Outro dado que chama atenção é o aumento dos casos de trabalho escravo no campo. Em 2025, foram 159 ocorrências, com quase 2 mil trabalhadores resgatados. O maior resgate do ano aconteceu em Porto Alegre do Norte, no Mato Grosso, onde 586 pessoas trabalhavam em condições degradantes na construção de uma usina. Muitos haviam sido aliciados no Norte e Nordeste e viviam em alojamentos superlotados, sem água potável e com alimentação precária.

Para ampliar a transparência e facilitar o acesso a informações sobre esses conflitos, a CPT e o Instituto Sociedade, População e Natureza lançaram o Observatório Socioambiental, uma plataforma digital que reúne dados desde 1980 sobre violações de direitos humanos, desmatamento e expansão da agricultura industrial. A ferramenta permite visualizar, por estado e município, a relação direta entre o avanço das commodities e o aumento da violência no campo.

O relatório reforça que a crise no campo brasileiro não é pontual, mas estrutural, e exige respostas urgentes do poder público para garantir proteção às comunidades tradicionais, fiscalização efetiva e políticas que combatam a impunidade.

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